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morrissey-sl122608hauahauahaua Zoação! Mas é que o Morrissey completa hoje meio século de vida e eu achei que seria tosco escrever um título chamando-o de “charming man” ou algo que fizesse referência às músicas dos Smiths ou da carreira solo do próprio Moz.

A comemoração do cinquentenário será esta noite no palco do Apollo (o mesmo onde os Arctic Monkeys gravaram o DVD ao vivo), em Manchester, cidade-natal do cara.

É, pessoal. O cara não para! Há três meses chegou às lojas o nono disco solo de estúdio, Years Of Refusal, que abre com a faixa Something Is Squeezing My Skull, cujos versos iniciais mandam o recado:

I’m doing very well
I can block out the present and the past now
I know by now you think I should
have straightened myself out
Thank you, drop dead

[Eu estou indo muito bem
Já posso apagar o presente e o passado
Acho que você agora deve estar pensando
Que eu deveria ter me endireitado.
Obrigado e morra
]

Uia! Bora dar um confere?

Alheio às polêmicas, que normalmente questionam aspectos de sua sexualidade, Morrissey costuma se declarar assexuado e consegue conquistar uma legião de novos fãs todos os anos – diria todos os dias – e, ao mesmo tempo, não decepciona aqueles que curtem o trabalho dele desde o tempo dos Smiths. Muito legal!

O pessoal do NME.com comemora o aniversário dele com uma série de trocadilhos musicais com nomes de faixas dos Smiths e do próprio Morrissey misturados a nomes de bandas. E lança um desafio: você é capaz de pensar em novos trocadilhos? Se for, escreve pra eles e pra gente também! Vamos ver o que eles pensaram:

Heaven 17 Knows I’m Miserable Now
This Charming Man O War
Will.I.Am It Was Really Nothing
Moz Def
Quiff Little Fingers
Cele-Bat For Lashes
First Of The Gang Of Four To Die
There Is A Lighthouse Family That Never Goes Out
Johnny Foreigner Marr
Swing Out Sister I’m A Poet
Stretch Out And Tom Waits
Death At One’s Elbow

Ah, vai! É divertido…

Então, parabéns aí, Moz! Muitos anos de vida e de sons maneiríssimos.

Bom fim de semana a todos e a gente volta segunda.

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No último dia 16, Morrissey mostrou mais uma vez como conseguiu a façanha de consolidar uma carreira solo após o fim de uma banda do porte dos Smiths. Years Of Refusal, nono álbum de estúdio, tem tudo para não fugir à regra e se tornar um sucesso, pelo menos no Reino Unido.

Desde a estreia solo, com Viva Hate (1988), Morrissey experimenta o gosto do sucesso. Naquela época, explodiu com os dois maiores clássicos pós-Smiths: Suedhead e Everyday Is Like Sunday. Aí, vieram prêmios, indicações, boas avaliações, lugares bacanas em listas de “mais” e “melhores”, até que em 1997 ele colocou nas lojas o disco Maladjusted, que, comparado aos anteriores, foi um fracasso. De 88 a 97 Morrissey lançara seis discos de inéditas e, com Maladjusted, pode-se dizer que ele encerrou uma fase mais melancólica. Encerrou também a parceria com o produtor Steve Lillywhite (Peter Gabriel, U2, Talking Heads, Rolling Stones, Smiths, etc.).

O álbum seguinte, You Are The Quarry, só foi lançado sete anos mais tarde. A produção era assinada por Jerry Finn, que trazia na bagagem trabalhos com AFI, Bad Religion, Alkaline Trio, MxPx, Rancid, Green Day, Sum 41 e The Offspring. Nem precisa explicar o quanto o som do Morrissey ficou pesado, porém extremamente acessível, como sempre. You Are The Quarry trazia bons singles, como Irish Blood, English Heart, First Of The Gang To Die e I Have Forgiven Jesus, a ponto de ser comparado a Viva Hate. É claro que foi elogiadíssimo e entrou nas paradas britânica e americana. Foi a volta por cima.

No trabalho seguinte, Ringleader Of The Tormentors (2006), Morrissey escolheu outro produtor. Desta vez, Tony Visconti, que trazia uma pegada mais clássica, típica de quem trabalhou com David Bowie,  T. Rex, Thin Lizzy, Gentle Giant e Adam Ant, entre outros. Chegou ao topo da parada britânica, mas não ficou nem entre as “20 mais” nos Estados Unidos. Também trazia boas faixas, como You Have Killed Me e I Just Want To See The Boy Happy.

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Years Of Refusal começou a ser gravado no final de novembro de 2007 e, um mês depois, as principais sessões no estúdio já estavam concluídas. Em fevereiro do ano passado, quando lançou um Greatest Hits (sem dúvida um dos melhores de todos os tempos), Morrissey antecipou duas faixas do disco novo, That’s How People Grow Up e All You Need Is Me. E as músicas traziam bem a vibe do álbum. Mozza retomou a parceria com Jerry Finn, neste que foi o último grande trabalho do produtor, que sofreu uma hemorragia cerebral em julho do ano passado, entrou em coma irreversível e acabou tendo os aparelhos desligados pela família no mês seguinte.

A faixa Something Is Squeezing My Skull abre o disco com uma guitarra “norótica”, como diriam por aí, cheia de modernismos; bela bateria também, além do vocal poderoso do Mozz. Veja no vídeo do show do lançamento do disco:

A seguir, a quase épica Mama Lay Softly On The Riverbed, nos faz lembrar os Smiths; bateria cadenciada sugere uma espécie de marcha. Black Cloud começa em clima soturno, passa rapidamente por uma interferência eletrônica, fica pesada e deságua rapidamente num refrão grudento: “Black clooooouuuud…”. I’m Throwing My Arms Around Paris começa com barulho de um carro sendo ligado e não tem nada mais apropriado, já que ela nos remete a uma daquelas viagens de carro junto com bons amigos, fazendo aquela bagunça a caminho da praia ou da serra. Já All You Need Is Me é nossa velha conhecida e, claro, uma das melhores faixas do álbum. Talvez a melhor. Apesar de a guitarra conduzir bem a faixa, é a bateria pesada que mais chama a atenção. Bom saber que quando eu escrevo “pesada” é pesada para o padrão Morrissey. Ok?

A sexta música, When Last I Spoke To Carol, tem uma irresistível fórmula que mistura guitarra espanhola e naipe de metais. That’s How People Grow Up também já era conhecida e também é uma das melhores faixas. Em One Day Goodbye Will Be Farewell é o baixo quem rouba a cena desde os primeiros acordes. It’s Not Your Birthday Anymore tem mais aquele clima de baladinha romântico-melancólica, bem Smiths também. Já You Were Good In Your Time traz uma levada jazzy que se você botar pra tocar e não pegar ninguém ao som dela… desiste, meu camarada! Sorry Doesn’t Help, retoma a guitarrinha nervosa, com efeitinhos e tal, bem indie. Soa como rock francês. O disco encerra com toda a energia de I’m OK By Myself, que, óbvio, com um título desse, é meio porrada, mas é triiiiiiste…

Faixas de Years Of Refusal:
1. Something Is Squeezing My Skull
2. Mama Lay Softly On The Riverbed
3. Black Cloud
4. I’m Throwing My Arms Around Paris
5. All You Need Is Me
6. When Last I Spoke To Carol
7. That’s How People Grow Up
8. One Day Goodbye Will Be Farewell
9. It’s Not Your Birthday Anymore
10. You Were Good In Your Time
11. Sorry Doesn’t Help
12. I’m OK By Myself