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Na noite em que Brasília conheceu seu novo governador – o quinto, somente este ano – 30 mil pessoas ocuparam a área externa do Museu da República para assistir à abertura da etapa brasileira da tour Wait For Me. A capital cinquentenária está em clima de festa e o show, no último sábado (17), teve entrada franca. O passe da área vip custou R$ 13, revertidos para compra de mudas de ávores nativas do cerrado, para reflorestamento. A iniciativa faz sentido quando o artista em questão também adere à causa. Só tem um detalhe: a área vip foi projetada para tantas pessoas, que quem não pagou teve de se contentar com um palco a mais de 100 metros de distância, com um bar, uma torre de som e duas grades de isolamento na frente.

Quem assistiu à passagem da excursão Hotel (2005) por aqui vai notar que, apesar de o álbum Wait For Me (Little Idiot Records, 2009) soar etéreo demais para um show, desta vez a gig vem com mais energia. O advogado Rodrigo Machado, de 29 anos, considerou esse show “mais dançante, mais animado do que o anterior”, que ele viu no Rio. Mas gongou a vocalista Leela James, ao compará-la com a cantora Laura Dawn: “A anterior tinha uma voz hipnotizante, que esta não tem”. Leela traz, no entanto, uma espontaneidade que, até quando dá errado, dá certo. Por exemplo, quando a introdução pré-programada de Disco Lies entrou, mas a vocal deu uma vacilada, mostrou ao público que a base até poderia ser playback, mas a voz era ao vivo.

Dos sucessos da carreira, quase todos estavam no setlist: Porcelain (dedicada a Brasília), Bodyrock, Go, We Are All Made Of Stars, Why Does My Heart Feel So Bad, In My Heart, Flower, Natural Blues, In This World, Raining Again e Disco Lies. Muita gente na plateia pediu Lift Me Up e Beautiful, mas não rolaram. Das novas, a banda tocou A Seated Night (que abre os shows dessa turnê), Mistake e Pale Horses. Normalmente cada setlist inclui apenas um cover, mas em Brasília foram dois: Walk On The Wild Side, do Lou Reed, e Whole Lotta Love, do Led.

O encerramento, com jeitão de grand finale, foi ao som de Feeling So Real, que começou como bossa nova.

Fácil pra quem viu de graça falar, mas fica a dica para o pessoal de Porto Alegre (20), Curitiba (21), São Paulo (23) e Rio de Janeiro (24), que vai desembolsar entre R$ 80 e R$ 400 pela entrada. Mas vale, viu?

Setlist – Moby em Brasília (17/4)
A Seated Night
Extreme Ways
In My Heart
Mistake
Flower
Bodyrock
Go
Why Does My Heart Feel So Bad?
Pale Horses
Porcelain
We Are All Made Of Stars
Walk on the Wild Side (Lou Reed cover)
Natural Blues
Raining Again
Disco Lies
The Stars
Bis:
In This World
Honey
Whole Lotta Love (Led Zeppelin cover)
Feeling So Real
Esse texto foi publicado originalmente no blog do Rio Fanzine (e eu esqueci de pedir pra linkar pra cá… hahaha).

Rolou nesta sexta, no Rio de Janeiro, e vai rolar neste domingo, em São Paulo, os shows de Los Hermanos, Kraftwerk e Radiohead, no festival Just a Fest. É claro que os GARIS foram ontem à Praça da Apoteose, no Rio, conferir as apresentações. Como um curtia mais o Los Hermanos, o outro, Kraftwerk, e o outro, Radiohead, a gente achou que seria legal mostrar diferentes pontos de vista sobre o festival.

Cada um vai descrever suas impressões sobre os três shows. Esperamos que vocês curtam esse esquema de resenha coletiva, que se tudo der certo, será publicada neste domingo, como aquecimento pro show em São Paulo.

Antes disso, vamos aos setlists:

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Foto: Alexandre Durão/AGNews/G1

LOS HERMANOS – das 19:00 às 20:20 (aproximadamente)

1. Todo Carnaval tem seu fim
2. O vencedor
3. Retrato para Iaiá
4. Último romance
5. Morena
6. Além do que se vê
7. O vento
8. Cher Antoine
9. A outra
10. Primeiro andar
11. Casa pré-fabricada
12. Deixa o verão
13. Cara estranho
14. Assim será
15. Condicional
16. Sentimental
17. Cadê teu suin?
18. A flor

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Foto: Alexandre Durão/AGNews/G1

KRAFTWERK – das 20:45 às 21:50 (aproximadamente)

1. The Man Machine
2. World of Vision
3. Numbers
4. Computerworld
5. Tour de France 2003
6. Autobahn
7. The Model
8. Showroom Dummies
9. Radio-activity
10. Trans Europa Express
11. The Robots
12. Aerodynamik
13. Music Non-Stop

radiohead_rio_lucianofaberFoto: Luciano Faber

RADIOHEAD – das 22:30 à 0:40 (aproximadamente)

1. 15 step
2. Airbag
3. There There
4. All I Need
5. Karma Police
6. Nude
7. Weird Fishes/Arpeggi
8. The National Anthem
9. The Gloaming
10. Faust Arp
11. No Surprises
12. Jigsaw Falling Into Place
13. Idioteque
14. I Might Be Wrong
15. Street Spirit (Fade Out)
16. Bodysnatchers
17. How To Disappear Completely

Bis 1
18. Videotape
19. Paranoid Android
20. House of Cards
21. Just
22. Everything In It’s Right Place

Bis 2
23. You And Whose Army?
24. Reckoner
25. Creep

MAIS!!!

Show do Radiohead foi “do caralho!”
Eles são robôs, cara!
Eles sabem fazer carnavais melhores

E lá vem mais um show humanitário de proporções mundiais. Desta vez é o World Peace One, marcado para o dia 6 de junho e que deve levar às areias de Copacabana atrações como o prícipe do pop Justin Timberlake (Michael e Prince ainda não decidiram quem é o rei e quem é a rainha do pop), o rapper Akon, o hard rock do Aerosmith e o nu-metal do Linkin Park. As atrações nacionais devem ser: Daniela Mercury, O Rappa, Nx zero, Jota Quest, Gabriel o Pensador (!?). Bom lembrar que, o Live Earth já misturou Xuxa, Lenny Kravitz, Macy Gray e MV Bill no mesmo local, em 2005. E não estou dizendo que isso seja bom, ok?

Além do Rio (única sede no Brasil), o WP1 deve rolar simultaneamente em outras 12 cidades pelo mundo e as transmissões ao vivo devem atingir 3,5 bilhões de pessoas em 180 países. A ideia – percebe-se pelos números divulgados – é que, além de chamar atenção para as causas humanitárias, o evento entre para o livro Guiness dos recordes como o maior público num festival deste tipo.

bicicletas_sp3Enquanto o mundo se une contra o aquecimento global, apontando a substituição de veículos movidos a combustíveis fósseis por bicicletas, a prefeitura do Rio, que desde o dia 5 de janeiro (estreia efetiva da administração Eduardo Paes) está causando com seus choques de ordem, anda na contramão.

Nesta segunda (ontem), por exemplo, os fiscais da secretaria de Ordem Pública recolheram bicicletas que estavam presas a postes nos bairros do Catete e Flamengo, na Zona Sul. Acredite se quiser: dentre as bicicletas recolhidas e levadas para o depósito da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb), estavam cinco usadas exclusivamente para entregas em domicílio. Ou seja, a prefeitura, que não instala bicicletários pela cidade e reconhece a carência deste tipo de estrutura, parece preferir que a locomoção das pessoas seja feita em carros ou motos, que ajudam a poluir o ar, além de não oferecerem nenhuma vantagem do ponto de vista do condicionamento físico.

Estas operações do Choque de Ordem, aliás, já foram classificadas de marketeira. Um texto equilibrado sobre o assunto foi postado no blog Nepôsts. Trata-se de um assunto polêmico e bastante abrangente, já que as ações da prefeitura compreendem desde a apreensão de bicicletas até a derrubada de imóveis irregulares, passando pelo recolhimento da população de rua e a detenção de pessoas que urinam nas ruas.

bicicletas_sp4

Na véspera deste recolhimento, ocorreu em São Paulo a 2ª Pedalada Pelada (ou World Naked Bike Ride, no título oficial, em inglês), para chamar a atenção do poder público para a necessidade de se criar uma infraestrutura capaz de permitir que as pessoas que quiserem levar uma vida mais  saudável – e menos poluente – possam usar a bicicleta para ir estudar, trabalhar e se divertir. Sobre isso, o grande Tom Leão escreveu em fevereiro, no blog dele, Na Cova do Leão.

As fotos que ilustram este post foram feitas durante a manifestação de domingo e estão no blog Ecologia Urbana.

Por Victor Ribeiro

Cada vez mais organizado, o Grito Rock deste ano teve, logo na primeira noite, duas fortes candidatas a serem as melhores performances de 2009: Unidade Imaginária e Los Bife. Teve ainda a volta do Sukhoi. Nesta terceira edição, o Grito Rock daqui deixou de ser Grito Rock Rio pra virar Grito Rock RJ, porque o pessoal do Rock in Rio encrencou. Vê se pode!

Os shows desta sexta-feira começaram pouco depois das 22h30, com os Filhos da Judith. Como eu cheguei no meio da apresentação da segunda banda, Manifesto, vamos pular pra ela, então.

O grupo, de Niterói, foi escolhido por votação popular na comunidade online do festival. O vocal até é bom, mas toda hora interrompia o show pra falar alguma coisa – normalmente dispensável – e o resto da banda é razoável. De 5 a 10 (lembre-se que, no Carnaval, a nota mínima é sempre 5), 6 pra eles.

Depois vieram Filhos do Totem, também de Niterói. E aí temos uma história no mínimo curiosa: eles venceram por voto do júri a seletiva que escolheu três bandas niteroienses para participar do Grito Rock (as outras duas, Motherfunk e Prosaico, que tocam hoje e amanhã, respectivamente, levaram a vaga por voto popular).  Eu fui à seletiva e posso dizer que havia pelo menos umas duas ou três bandas melhores. Mas enfim… Os Filhos do Totem subiram ao palco do Cine Lapa pouco depois da meia-noite, desfalcados do guitarrista, que estava trabalhando (!), e do vocalista, que está internado com sintomas de dengue. Tipo: se a banda completa já é aquilo, imagine desfalcada. O som, marcadamente imaturo, não vai muito além de uma barulheira desafinada. Talvez, se os caras da banda tivessem uns dez ou quinze anos a menos, daria pra entender. Calcula só um grupo formado por um monte de Kleber Bam Bam, com outros Kleber Bam Bam assistindo. É isso! E, pra completar, tem um produtor que fica da plateia, gritando o que eles devem falar entre as músicas. Resumindo: o vídeo de skate que rolava no telão era muito mais interessante. Nota 5.

A quarta banda foi a Drenna (antigo Projeto Drenna), comandada pela vocalista que – oh! – se chama Drenna. Banda de mulherzinha, sabe? O vocal lembra muito a Meg Stock, do Luxúria. O probelma da banda: TODAS as músicas próprias (pelo menos as que tocaram no festival) seguem a fórmula de começar lentinha e, depois, uma virada de bateria, um vocal gritado e uma guitarra pesada. Manjado, né? O ponto alto foi a participação especial do guitarrista e produtor musical Fred, que gravou e produziu as faixas do primeiro algo, que a banda está finalizando sob as bençãos da equipe de Marcelo Yuka, que, inclusive, fez questão de ir ao Grito Rock ontem e ficou até o final. No encerramento, a Drenna mandou bem com um cover de Misirlou, do Dick Dale, que provavelmente você conheceu ouvindo Pump It, do Black Eyed-Peas. Ou seja, os melhores momentos foram aqueles em que fugiram da tal fórmula que eu já citei. Nota 7,5.

Chega então a vez do pessoal da Unidade Imaginária subir ao palco. Resumindo em uma frase: eles são a prova que é possível ter uma vocalista gata e talentosa. Mariana é linda, tem muita presença de palco, desenvoltura, canta bem, toca guitarra bem e se sai bem até na escaleta (aquele tecladinho de assoprar). Showzasso! A baixista Valentina também faz suas participações bem pontuadas e tal. Nota 9,5, porque incentiva a continua melhorando… hehehehe

Depois de um show desse você não sabe se arrisca ficar e ver se a outra banda vai mandar bem também ou não. Pra minha sorte eu fiquei e vi outro showzasso, com o pessoal da Los Bife. As músicas contavam desde as agruras do sujeito que se apaixona por uma lésbica até o fato de terem virado motivo de risada entre os amigos. No ano passado eu vi um show em que eles fizerem cover punk do Créu. Desta vez, a pérola da música brasileira escolhida pela Los Bife foi A Lenda, de Sandy e Junior. Instrumentos bem tocados, bons vocais e público participativo. Nota 9,5 também, pelo mesmo motivo da banda anterior.

Teriam ainda mais dois shows: a volta do Sukhoi e a banda alemã Berlin Loop. Mas os estrangeiros trouxeram equipamentos de 220v e a casa só oferecia tomadas 110v. O show da Berlin Loop foi adiado pro mês de agosto.

Já o pessoal do Sukhoi, que estava parado há dois anos, voltou com a mesma pegada nu-metal, misturando rock pesado e elementos eletônicos. Vou te falar que é difícil fazer isso direito aqui no Brasil, ainda mais quando a banda canta em português. Mérito deles. Nota 9,5 também.

O único problema chato que eu percebi é que o som do DJ estava alto demais e ninguém conseguia conversar entre um show e outro. Talvez fosse uma boa deixar mais baixo, porque não é sempre que a gente encontra tanta gente bacana pra trocar umas ideias. E crítica assinada, pra evitar constrangimento aos demais GARIS.

E TEM MAIS!

Hoje é dia dos shows de Ganeshas, Natural Born Rockers, Motherfunk, Miami Bros, Velho Joe, Homens do Pântano e Stellabela. No domingo: Casa de Bicho, Quilombos Urbanos, Prosaico, Carlos Spihler, Cabeza de Panda, Abstratus e Nayah.

Tudo no Cine Lapa (rua Mem de Sá 23, Lapa – Rio de Janeiro), a partir das 20h, com ingressos a R$ 15 e proibido para menores de 18 anos.

Curta-metragem sobre as paisagens do Rio e o tal “jeito de ser” tipicamente carioca. Assisti pela primeira vez anteontem, quando foi exibido no Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação (Enecom). Produzido por amigos que estudaram com a gente na UFF, ficou em segundo lugar na categoria “Filme com Celular”, do concurso Rio Criativo, organizado pela Firjan.

A sinopse é a seguinte:
Durante uma tarde de sábado, jovem carioca liga para os amigos para saber qual é “a boa da noite”. Ninguém dá a resposta definitiva, mas enquanto se comunicam, a cidade é descrita — visual e verbalmente — a partir do local em que cada um estava quando recebeu a ligação.
À noite, por acaso, a surpresa de um grande encontro…