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Toque no Brasil tem a difícil missão de tirar bandas independentes do gueto e levá-las para turnês

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O músico paulistano Sérgio Ugeda explicou na última quinta-feira o que será o site Toque no Brasil, criado por ele. Trata-se de uma rede social baseada na premissa punk do “faça você mesmo” e que pretende colocar em contato direto músicos, produtores e contratantes em todo o país. O portal, parceria de Sérgio com o Fora do Eixo (FDE) e a Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin) entra oficialmente no ar em fevereiro de 2010, quando ocorre o festival Grito Rock. Até lá, estará disponível um mapa do Google, em que os internautas poderão se cadastrar e mostrar em que lugar do país estão, que tipo de música ouvem e que lugares frequentam.

Durante a conferência sobre internet e o mercado de música independente no festival Porão do Rock, em Brasília, Sérgio explicou que o objetivo central do Toque no Brasil é criar circuitos de turnês, “porque as bandas nacionais lançam discos e não sabem o que fazer depois. Não sabem onde tocar”. Na América do Norte, na Europa e até mesmo nos vizinhos latinoamericanos – como Argentina e Chile – existe a cultura da turnê. “No Brasil isso não acontece porque os shows não se baseiam em relações profissionais, mas em relações políticas e não dá pra fazer isso 20 dias por mês. Esse é o Brasil”, justificou Ugeda.

A ideia do “faça você mesmo” leva em consideração o fato de que ninguém dará mais importância para uma banda do que o próprio músico. Há poucos exemplos de bandas independentes que conseguiram se tornar comercialmente viáveis, como Móveis Coloniais de Acaju e Teatro Mágico, mas, de acordo com Sérgio, não são modelos a serem seguidos, porque são casos muito pontuais e não se enquadram num cenário mais geral.

A proposta do site é criar circuitos de turnês. Funcionará assim: a banda resolve fazer, por exemplo, uma turnê do Rio de Janeiro para Goiânia. Dispara, então, um alerta e os donos de casas de shows e produtores recebem esta mensagem. Aí, podem aprovar ou recusar o pedido do grupo. Assim que o contratante tomar a decisão, a banda recebe um aviso. Além disso, os músicos saem do Rio, por exemplo, e fazem shows no Rio, Juiz de Fora, Uberlândia e Goiânia. Na volta, se apresentam em Brasília, Belo Horizonte e Ouro Preto, por exemplo.

O processo todo será acompanhado pela equipe do site. Uma semana antes de cada apresentação o grupo e o contratante deverão informar, por e-mail, se está tudo correndo bem. Após o show, a banda vai atribuir uma qualificação ao contratante, que, por sua vez, também dará uma nota aos músicos, a exemplo do que já ocorre em portais como Mercado Livre. “Assim, atitudes de má fé e sacanagens em geral serão divulgadas”, espera Ugeda.

A exemplo do americano Sonic Beat, o Toque no Brasil vai começar oficialmente suas atividades voltando-se para festivais de rock independentes. Os objetivos são: tornar-se referência para inscrições em festivais em todo país já em 2010 e criar um modelo de turnê. Sérgio dá a dica: “Crie um projeto com antecedência e disciplina; aí, comece a correr atrás. O Toque no Brasil será parte deste processo”, conclui.

MinC chama população para debater direitos autorais

Ainda no Porão do Rock foi anunciado que o Ministério da Cultura (MinC) está formulando uma nova proposta para pagamentos de direitos autorais, que deve ser divulgada até novembro. Assim que a proposta for apresentada, será levada à consulta pública e ficará disponível durante dois meses para receber opiniões.

A discussão sobre direitos de autor e cultura, em geral, já ocorre há algum tempo numa plataforma criada pelo próprio MinC, no portal Cultura Digital. É uma rede social baseada em cinco eixos fundamentais: memória digital, economia da cultura no ambiente digital, infovia digital (discussão sobre a infraestrutura de transmissão de dados; por exemplo: universalização da banda larga), arte na era digital e comunicação digital (língua, mídia e convergência).

O MinC planeja ainda para novembro um seminário internacional para tirar as diretrizes da proposta que irá para consulta pública.

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Por MARCUS VINÍCIUS LEITE e VICTOR RIBEIRO

elmatooO nome é meio diferente, difícil de memorizar, mas também difícil de esquecer. Quando comecei a pensar em bandas latinas, lembrei logo dessa que alegrava minhas já saudosas manhãs na faculdade em 2004, e que meu irmão, Daniel Cezar era muito fã e sempre me falava … lembrei do nome Él Mató a un Policia Motorizado. Um indie rock cru e leve, com um toque de noise rock que traz guitarras distorcidas sem tirar uma grande característica do som deles: ser tranquilizante sem ser sonolento. Muito disso vem das belas melodias, cantadas em espanhol com direito ao característico sotaque portenho.

Eles são bem reconhecidos no cenário alternativo latinoamericano, inclusive já tendo passado pelo Brasil algumas vezes. Após lançar um bom álbum de estréia em 2004, a banda se dedicou a uma trilogia de EPs, que simbolizam o nascimento, a vida e a morte. Começando por Navidad de Reserva, de 2005, que traz um tom melancólico. O segundo deles, Un Millón de Euros, é tranquilo e perfeito para se ouvir em uma tarde ensolarada e desocupada, trazendo letras que falam sobre amigos, amores, viagens. Fechando o trio, vem Día de Los Muertos, lançado no ano passado, que trata do fim do mundo, e consequentemente, do fim da vida.

Casando perfeitamente distorção com melodias calmas e batidas às vezes até dançantes, Él Mató é uma banda que recomendo para qualquer hora, e que defino como aquele tipo de música que fica marcado na memória como a trilha sonora de bons momentos, aqueles que causam até vontade de voltar no tempo para viver tudo de novo.

Él Mató a un Policia Motorizado será a segunda banda a tocar amanhã, sábado, primeiro dia de shows do Porão do Rock. Veja aqui a lista completa das bandas.

PORÃO NA ARGENTINA

Como se não bastasse um grupo argentino invadir – da melhor forma possível – o Porão do Rock, o próprio festival deve tomar conta de Buenos Aires, em uma edição menor, com dez bandas (seis argentinas e quatro brasileiras) nos dias 23 e 24 de outubro.

mundolivresaOs brasileiros que vão cruzar a fronteira serão os cariocas do Autoramas, que já são badalados pela América Latina; os brasilienses do Móveis Coloniais de Acaju, que prometem fazer bonito representando a sede do festival; os pernambucanos do Mundo Livre S/A (foto), que recentemente foram elogiados pela edição argentina da revista Rolling Stone, o que gerou uma curiosidade do público; e os goianos do MqN, que já lançaram disco lá e trazem como frontman o atual presidente da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin), Fabrício Nobre, que também acumula a função de chefão da gravadora Monstro Discos. Entre os argentinos, o conselheiro do Porão do Rock Gustavo Sá citou Los Natas e, adivinhe… El Mató A Un Policía Motorizado.

Para ouvir mais, vale uma visita ao MySpace dos caras.

Para tuitar: http://wp.me/pdGj4-Dh

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Se hoje o dia é de debates e palestras, a programação do Porão do Rock de amanhã será voltada para o resultado deste falatório todo: a rapaziada vai praticar o que apreendeu. As cabeças falantes e pensantes vão participar dos grupos de trabalho (GTs), que serão dividios em duas etapas: das 9h ao meio-dia e das 15h às 18h. A conclusão de tudo isso a gente vai ter no sábado, quando as atas dos grupos de trabalho serão apresentadas, das 9h ao meio-dia. Depois, sim, às 16h, o rock rola nos palcos.

Os GTs servirão de base para a Rede Música Brasil (RMB) e serão divididos em quatro núcleos: circulação, comunicação, legislação e formação. Tudo com entrada franca e lá no auditório da Biblioteca Nacional.

Dissemine: http://wp.me/pdGj4-Dz

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Não, não. O Porão do Rock não começa na tarde deste sábado, não. Começa amanhã, às 9h, com a Conferência Livre de Música. A entrada é franca e o conversê rola no auditório da Biblioteca Nacional (aquele prédio bonitão que fica no Eixo Monumental, ao lado do Museu da República, pertinho da Esplanada dos Ministérios). A programação desta quinta será a seguinte:

Mesa 1
Das 9h às 11h: A Música na Pauta de Cultura do Congresso Nacional

Na mesa: Clausem Bonifácio (presidente da ONG Porão do Rock), Alfredo Manevy (secretário-executivo do Ministério da Cultura/ministro em exercício), Luiz Fenelon (Coordenador do Projeto Controle Social do Orçamento para Cultura), Silvestre Gorgulho (secretário de Cultura do Distrito Federal), Ângelo Vanhoni (deputado federal), João Bani (sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro), Flávio Arns (presidente da Comissão de Educação e Cultura do Senado), “KK” Mamoni Júnior (presidente da Associação Brasileira dos Empresários Artísticos), Paulo Tadeu (deputado distrital representante da Frente Parlamentar Pró-Cultura e Identidade do DF), Gustavo Anitelli (Teatro Mágico / MPB – Música Pra Baixar) e Rênio Quintas (Fórum Nacional de Música). Mediadora: professora Beatriz Sales (UnB).

Mesa 2
Das 11h20 às 13h20: Música, Internet e Comunicação

Na mesa: Diones Soares Manetti (diretor de Fomento à Economia Solidária da Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho), José  Murilo Carvalho (coordenador nacional de Cultura Digital do Ministério da Cultura), Fred Maia (assessor especial do ministro da Cultura), Pablo Capilé (circuito Fora do Eixo), Edgar Piccino (coordenador da Casa Brasil da Presidência da República), Luis Cláudio Mesquita (coordenador nacional de Inclusão Digital / Serviço Federal de Processamento de Dados – Serpro), Patrick Tor4 (Associação Nacional das Rádios Públicas), Joaquim Carlos (Associação Nacional das Rádios Comunitárias), Sérgio Ugeda (projeto Toque no Brasil), Corinto Meffe (gerente de Inovações Tecnológicas na Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento) e Dolores Tomé (softwarer Musibraile).

Mesa 3
Das 15h30 às 18h: A Nova Economia da Música
Serão duas mesas, na verdade. Na primeira: João  Oliveira (BrasíliaTur), Gustavo Sá (diretor-executivo do Festival Porão do Rock), Beto Sales (secretário adjunto de Cultura do DF), Albertino de Souza Pereira Netto (Promotor de Justiça Adjunto – Ministério Público), Thiago Cury (Coordenador de Fomento e Difusão do Centro de Educação Musical – CEMUS/Funarte), Frederico dos Santos Soares (pesquisador do Laboratório de Sistemas e Informações Espaciais da UnB), Juliana Nolasco (Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura, do Ministério da Cultura). Na segunda mesa: Álvaro Nascimento (Instituto de Artes e Técnicas em Comunicação do Rio de Janeiro), Fabrício Nobre (presidente da Associação Brasileira dos Festivais Independentes – Abrafin), Linha Dura (Central Única das Favelas – Cufa do Mato Grosso), Makely Ka (Fórum Nacional de Música e Cooperativa de Música de Minas), Daniel Zen (do Acre, representante do Fórum dos Secretários Estaduais de Cultura), José  Luis Herência (secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura) e Maria Cláudia (secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura). Mediação: Marcos Pinheiro (diretor de Comunicação da ONG Porão do Rock / Rádio Cultura FM).

Mesa 4
Das 18h30 às 20h: Bate-Papo Rede Música Brasil, Funarte e MinC
Participantes: Autoridades do Ministério da Cultura, Funarte e Rede Música Brasil. Mediador: Cacá Machado (Funarte)

Pra tuitar: http://wp.me/pdGj4-D4

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A colunista Mônica Bergamo publica na Folha de S. Paulo de hoje aseguinte informação:

O vocalista da banda Capital Inicial, Dinho Ouro Preto, teve que cancelar dois shows neste fim de semana, em Natal e Sorocaba, após ser diagnosticado com a gripe suína. (…) Após sentir os sintomas e fazer os exames, Dinho foi diagnosticado com o vírus H1N1 na última quinta-feira. (…) Ogrupo não decidiu se irá suspender os shows do próximo fim de semana.

A gente torce para que o cara se recupere logo e que domingo mande benzão no Porão do Rock. Ou alguém aí acha que, mesmo não estando oficialmente escalado, o pessoal do Capital Inicial vai perder essa?

Eis a lista de bandas, pela ordem de apresentação:

SÁBADO, 19 DE SETEMBRO

Palco Principal (a partir das 16h)
Super Stereo Surf (DF)
El Mato a un Policia Motorizado (Argentina)
Orgânica (SP)
Cachorro Grande (RS)
Ludov (SP)
Elffus (DF)
Black Drawing Chalks (GO)
Eagles of Death Metal (EUA)
Mugo (GO)
Mindflow (SP)
Angra (SP)
Dynahead (DF)
Sepultura (MG)

Palco Pílulas (a partir das 18h30)
Scania (DF)
Di Boresti (DF)
Rocan (DF)
O Melda (MG)
Belle (RS)
Superquadra (DF)
Watson (DF)
The Pro (DF)

DOMINGO, 20 DE SETEMBRO

Palco Principal (a partir das 16h)
Cabeloduro
Fallen Angel / Dungeon
Detrito Federal
Paralamas do Sucesso
Plebe Rude
Escola de Escândalo
M. Roots
Little Quail & the Mad Birds
Raimundos
Rafael Cury & the Booze Bros.
Móveis Coloniais de Acaju

Palco Pílulas (a partir das 18h30)
Cassino Supernova
Na Lata
Soatá
Trampa
Kanela Seka
Bootlegs
Blazing Dog

Tuíte conosco: http://wp.me/pdGj4-CS

autoramasAgora é oficial. Em entrevista no final da noite desta sexta-feira (24) ao programa Cult 22, da rádio Cultura FM, de Brasília (diga-se de passagem, uma rádio boa demais!) Gustavo Sá, conselheiro do Porão do Rock, confirmou para os dias 15 e 16 de agosto as seletivas para esta 11ª edição do festival, marcada para 18, 19 e 20 de setembro.

Para as seletivas, ainda dá tempo de inscrever sua banda no site do Porão, que voltou ao ar. O Gustavo, aliás, avisa que tanto as bandas que nunca tocaram quanto as que já se apresentaram no festival precisam se cadastrar no portal, mas somente aqueles que forem virgens de Porão do Rock conseguirão suas vagas assim. Além dos grupos que buscam uma vaga no festival mais concorrido do DF, Gustavo confirmou as apresentações de Krisiun e Ratos de Porão, no dia 15, e Autoramas (foto acima) e Raimundos (!), dia 16. As seletivas rolam num dos cartões-postais mais belos da capital: a Torre de TV. E o melhor: com entrada franca. “Só que pra ver as bandas grandes o pessoal vai ter de assistir à seletiva inteira, porque a gente vai botar uma abrindo e outra fechando cada dia, pra garantir que o público vai prestigiar as bandas de brasília também”, avisa Gustavo.

Antes disso, já neste sábado (25), rola mais uma edição do Pílulas Porão do Rock, que promete esquentar a cena com os shows de Nação Zumbi (leu o post anterior, né?), Móveis Coloniais de Acaju (que estão com disco novo nas prateleiras reais e virtuais) e Gilbertos Come Bacon. Veja o serviço no final deste post.

FESTIVAL SERÁ DIVIDO EM TRÊS DIAS

MUSEPoraodoRockO Festival Porão do Rock já se estabeleceu como um dos mais concorridos – e mais respeitados – do país. Se, no ano passado, a organização gastou uma grana para trazer o Suicidal Tendencies (EUA) e o Muse (Inglaterra) (ao lado, foto do show no festival do ano passado), desta vez a ideia é focar mais na cena brasiliense e entrar na festa pelo cinquentenário da capital.

Para o dia 18 de setembro, Gustavo anunciou palestras, oficinas e workshops. Os shows continuarão concentrados em dois dias (19 e 20). Os organizadores (e todos nós, também) ainda sonham com a possibilidade de realizar o Porão 2009 na Esplanada dos Ministérios, sem a cobrança de ingressos. Falta “apenas” fechar patrocínios para isso e/ou conseguir o que é mais difícil: o apoio do Governo do DF. Como os patrocínios podem surgir em cima da hora e o GDF ainda não deu nenhuma resposta, existe, sim, esperança.

ALÉM DA BACIA PLATINA

Outra novidade é que também está confirmada a realização do Porão do Rock na Argentina. Com ou sem gripe suína, os hermanos vão curtir o som de dez bandas (seis argentinas e quatro brasileiras) nos dias 23 e 24 de outubro.

mundolivresaSerá em Buenos e os brasileiros que vão cruzar a fronteira serão os cariocas do Autoramas, que já são badalados pela América Latina; os brasilienses do Móveis Coloniais de Acaju, que prometem fazer bonito representando a sede do festival; os pernambucanos do Mundo Livre S/A (foto), que recentemente foram elogiados pela edição argentina da revista Rolling Stone, o que gerou uma curiosidade do público; e os goianos do MqN, que já lançaram disco lá e trazem como frontman o atual presidente da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin), Fabrício Nobre, que também acumula a função de chefão da gravadora Monstro Discos. Entre os argentinos, Gustavo Sá citou Los Natas e El Mató A Un Policía Motorizado.

Todos ao Porão!

SERVIÇO – Pílulas Porão do Rock

Shows: Gilbertos Com Bacon, Móveis Coloniais de Acaju e Nação Zumbi
Data: sábado (25 de julho), às 22h
Local: Arena Futebol Clube – Setor de Clubes Esportivos Sul (SCES), Tc, 3, em frente à AABB
Ingressos: R$ 20 antecipado (consulte pontos de venda no site) e R$ 25 na hora
Infos: (61) 3224-9401
Classificação: 16 anos

Os fãs que já assistiram ao DVD H.A.A.R.P. (Warner, 2008), recém-lançado por aqui e gravado na arena de Wembley, na Inglaterra, certamente esperam surpresas para as adaptações que a produção do Muse terá de fazer para “encaixar” aquela estrutura em locais fechados e bem menores que o estádio. É o que vai ocorrer logo mais no HSBC Brasil, em São Paulo.

Para quem foi ao primeiro show da turnê brasileira, na noite desta quarta-feira, no Rio de Janeiro, a surpresa começou ainda do lado de fora do Vivo Rio, menos de uma hora antes do power-trio pisar no palco. Um ingresso para a área VIP, que ocupava quase por completo a área descoberta da pista custava R$ 240, enquanto a pista para os mortais saía pela metade do preço. Resultado: encalhe na venda dos VIPs. Como aquele vazio bem na frente do palco não é nada agradável, a casa de shows mandou seus produtores para a fila, distribuir pulseiras VIPs para qualquer um que estivesse com ingresso para pista. Quem chegou mais cedo não deu a mesma sorte.

Às 22h40, as luzes apagaram e um instrumental épico anunciou: o Muse estava chegando. O baterista Dominic Howard, o baixista Christopher Wolstenholme e o vocalista, guitarrista e pianista Matthew Bellamy entraram ao som de Knights Of Cydonia. O telão exibia, em sincronia com a voz de Bellamy, a letra do refrão: “No one’s gonna take me alive/ The time has come to make things right/ You and I must fight for our rights/ You and I must fight to survive” (Ninguém vai me levar vivo/ Chegou a hora de fazer as coisas certas/ Você e eu temos que lutar pelos nossos direitos/ Você e eu temos que lutar para sobreviver). Knights Of Cydonia é uma das faixas do álbum Black Holes And Revelations (Warner, 2006), quarto disco de estúdio, o mais bem sucedido dos 11 anos de carreira dos ingleses e que serve de base para esta turnê. Recentemente, inclusive, esta faixa foi escolhida em voto popular para marcar a estréia da webrádio do semanário New Musical Express, derrotando Beatles, Blur e outros medalhões – com inicial B ou não.

O clima messiânico de Knights Of Cydonia deu, então, lugar ao som mais sujo de Hysteria. Em seguida, vieram Dead Star, Map Of Problematic, mas o Muse incendiou o público mesmo na quinta música, Supermassive Black Holes, que, desde o lançamento, em 2006, é presença constante em qualquer noitada indie que se preze: desde a extinta Bunker 94, até o atual Cine Lapa, passando pela Fosfobox, no Rio. Algo do tipo: o finado Atari, o Outs e o Vegas, nesta ordem, em Sampa. Além do som em si, robôs no telão faziam uma curiosa coreografia para Supermassive Black Hole. As projeções continuaram na música seguinte, Butterflies And Hurricanes, agora com imagens de insetos bem de perto, que lembram aquelas séries da BBC e do Discovery.

Em seguida, veio Sunburn, que terminou com um improviso jazzy, com Bellamy num piano “ornamentado” com um megafone, que indicava a próxima: Feeling Good, quando produtores infiltrados entre o público na pista, na área VIP e até mesmo nos camarotes jogaram confetes na platéia.

O show continuou com Osaka Jam, Invincible, New Born e chegou a Starlight, que traz em seus versos o nome do disco de 2006, “Black Holes And Revelations”. Improvisaram depois uma bossa nova em cima de um tema de Villa-Lobos, tocaram Time Is Running Out e encerraram o show com Plug In Baby, quando soltaram dez balões de confetes para os fãs, que acharam tudo tão bacana, que esqueceram de aplaudir quando a música terminou. Quatro minutos depois, eles voltaram para o bis, que abriu com Stockholm Syndrome, que também teve lá seus improvisos. Nesta volta do bis, o batera Dominic Howard apareceu enrolado em uma bandeira do Brasil, usando uma cartola verde e amarela, saudou o público e foi retribuído com gritinhos e aplausos. O encerramento ficou por conta de Take A Bow, que, para os desavisados, não é a mesma da Madonna.

Uma hora e meia de rock, que reuniu indies, emos, admiradores de hard rock e fãs de britpop, numa espécie de encontro ecumênico de tribos, que reflete bastante a versatilidade do som do Muse. A turnê pelo Brasil termina sábado, no 11º Festival Porão do Rock, em Brasília. Quer ir?

Serviço
Muse no HSBC Brasil
Quinta-feira, 31 de julho, às 22h
Ingressos: entre R$ 140 (pista) e R$ 250 (camarote)
HSBC Brasil: Rua Bragança Paulista, 1281, Chácara Santo Antônio, São Paulo
Classificação: 14 anos

Muse no Festival Porão do Rock
Sábado, 2 de agosto, 0h25min
Ingressos: R$ 20 (pista) e R$ 80 (camarote)
Estádio Mané Garrincha, Brasília
Classificação: 18 anos

Fotos de JP Lages