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Só ficou o Ralf

Só ficou o Ralf

Pois é, pessoal. O flautista Florian Schneider, co-fundador e um dos dois integrantes da formação clássica do Kraftwerk, anunciou sua saída da banda. Agora, o único membro da formação notável (1975-87) ainda na banda é o tecladista Ralf Hütter.

O fim da parceria que completaria 40 anos em 2010 foi anunciado no site da banda, mas ninguém explicou o motivo da saída de Florian. O New Musical Express especula que ele pretenda focar na carreira solo.

No próximo mês de março o Kraftwerk volta ao Brasil para abrir os shows do Radiohead, no Rio (20/3) e em São Paulo (22/3). Esta é a terceira vez que o Kraftwerk vem ao Brasil. A primeira foi em 1998, no extinto Free Jazz Festival, e a segunda foi em 2004, no Tim Festival.

KRAFT… O QUÊ?

O Kraftwerk surgiu oficialmente em 1970, como uma dupla e fazia parte da cena experimental denominada Krautrock (em que kraut significa “pessoa alemã”). Durante os cinco primeiros anos, Florian tocava flauta, sintetizador e violino elétrico, enquanto Ralf tocava teclado e sintetizador. A banda era um quinteto, mas a rotatividade dos demais integrantes era alta. Em 1974 o Kraftwerk lançou aquele que seria seu maior sucesso: o álbum Autobahn, que trazia faixatítulo em 22 minutos de pura viagem sonora. O som ganhou várias versões (mais curtas, claro). A do videoclipe, por exemplo, tem 8min25seg:

O sucesso de Autobahn foi tão grande que a banda formada para a turnê do disco, em 1975, se estabeleceu como “a formação clássica” do Kraftwerk. Além de Florian e Ralf, entraram Wolfgang Flür e Karl Bartos, como percussionistas eletrônicos. Uma observação pessoal: meu pai tinha este disco em vinil e colocava pra tocar quando eu tinha, sei lá, uns dois ou três anos de idade. Cresci sob esta influência. Um dia deu ladrão lá em casa e o safado levou o vinil.


Com Autobahn, o Karftwerk deu início a uma seqüência de álbuns que entraram para a história da música pelo pioneirismo e ainda hoje influenciam o som de muitas bandas: Radio-Activity (1975), Trans-Europe Express (1977) e The Man Machine (1979). Dizem que eles influenciaram para o bem e para o mal: sem o Kraftwerk, talvez não existisse o Hot Chip (humpf!), mas também talvez não existissem o hip hop e o funk (eba!). Depois disso, a coisa foi ficando morna, até a turnê do disco Electric Café (1986), em 1987, quando a banda praticamente encerrou as atividades, para voltar somente no final dos anos 90, quando retomou a turnê e em seguida lançou o single inédito Expo 2000. Em 2005 veio o disco ao vivo Minimum-Maximum, que rendeu aos caras o Grammy de melhor álbum de música eletrônica. E, por falar em Hot Chip, o lançamento mais recente do Kraftwerk foram os singles Aerodynamik e La Form, remixados pelo quinteto inglês:

Eis que, em dias de cultura pasteurizada e hereges que intencionalmente nos empurram hardcore e emo (nada contra nenhum estilo, mas tudo contra os enganadores), dias em que as rádios e a MTV são dominadas por musiquinhas mal-feitas que se dizem R&B, que os íncones da black music são cantores e cantoras da elite branca, a gente tende a pensar que tudo está perdido. O presente é uma porcaria e o futuro será pior.

Nada disso, pessoal! O passado foi bacana, mas não adianta querer viver de memórias. Vamos contsruir a música! Em Londres, a cena punk volta a aparecer efervescente, como nos anos 70, mas usando a tecnologia a seu favor e, desta forma, deixando aquele cheirinho de naftalina pra lá. Bandas boas? Bandas ruins? Só o tempo dirá. O importante é a cena existir.

Conheci, via programa Santos da Casa, da Rádio Universidade de Coimbra – 107,9 FM, lá em Portugal, uma banda inglesa que toca punk de raiz… hehehe. Sim! Aquilo que a gente ama. O melhor: o som lembra o Sex Pistols, mas a postura e a estética são mais The Clash. O nome dos caras: The Parkinsons.

Enjoy the noise, gajos! A seguir, o clipe de Bad Girl, que você NÃO VÊ no Top 10 da MTV.