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O Muse marcou para 14 de setembro o lançamento do quinto álbum de estúdio, The Resistance. A data foi estrategicamente escolhida para preceder a volta do bandão de Matt Bellamy às arenas de shows. De acordo com o semanário britânico New Musical Express, o Muse agendou sete shows em arenas do Reino Unido e da Irlanda, incluindo dois shows na Arena O2 (aquela onde o Led se reuniu em 2007).

The Resistance foi inteiramente gravado na Itália e sucede Black Holes And Revelations (Warner, 2006), que trazia esta faixa aí:

No ano passado o Muse passou pelo Brasil, com a turnê do DVD H.A.A.R.P (Warner, 2008).

Os fãs que já assistiram ao DVD H.A.A.R.P. (Warner, 2008), recém-lançado por aqui e gravado na arena de Wembley, na Inglaterra, certamente esperam surpresas para as adaptações que a produção do Muse terá de fazer para “encaixar” aquela estrutura em locais fechados e bem menores que o estádio. É o que vai ocorrer logo mais no HSBC Brasil, em São Paulo.

Para quem foi ao primeiro show da turnê brasileira, na noite desta quarta-feira, no Rio de Janeiro, a surpresa começou ainda do lado de fora do Vivo Rio, menos de uma hora antes do power-trio pisar no palco. Um ingresso para a área VIP, que ocupava quase por completo a área descoberta da pista custava R$ 240, enquanto a pista para os mortais saía pela metade do preço. Resultado: encalhe na venda dos VIPs. Como aquele vazio bem na frente do palco não é nada agradável, a casa de shows mandou seus produtores para a fila, distribuir pulseiras VIPs para qualquer um que estivesse com ingresso para pista. Quem chegou mais cedo não deu a mesma sorte.

Às 22h40, as luzes apagaram e um instrumental épico anunciou: o Muse estava chegando. O baterista Dominic Howard, o baixista Christopher Wolstenholme e o vocalista, guitarrista e pianista Matthew Bellamy entraram ao som de Knights Of Cydonia. O telão exibia, em sincronia com a voz de Bellamy, a letra do refrão: “No one’s gonna take me alive/ The time has come to make things right/ You and I must fight for our rights/ You and I must fight to survive” (Ninguém vai me levar vivo/ Chegou a hora de fazer as coisas certas/ Você e eu temos que lutar pelos nossos direitos/ Você e eu temos que lutar para sobreviver). Knights Of Cydonia é uma das faixas do álbum Black Holes And Revelations (Warner, 2006), quarto disco de estúdio, o mais bem sucedido dos 11 anos de carreira dos ingleses e que serve de base para esta turnê. Recentemente, inclusive, esta faixa foi escolhida em voto popular para marcar a estréia da webrádio do semanário New Musical Express, derrotando Beatles, Blur e outros medalhões – com inicial B ou não.

O clima messiânico de Knights Of Cydonia deu, então, lugar ao som mais sujo de Hysteria. Em seguida, vieram Dead Star, Map Of Problematic, mas o Muse incendiou o público mesmo na quinta música, Supermassive Black Holes, que, desde o lançamento, em 2006, é presença constante em qualquer noitada indie que se preze: desde a extinta Bunker 94, até o atual Cine Lapa, passando pela Fosfobox, no Rio. Algo do tipo: o finado Atari, o Outs e o Vegas, nesta ordem, em Sampa. Além do som em si, robôs no telão faziam uma curiosa coreografia para Supermassive Black Hole. As projeções continuaram na música seguinte, Butterflies And Hurricanes, agora com imagens de insetos bem de perto, que lembram aquelas séries da BBC e do Discovery.

Em seguida, veio Sunburn, que terminou com um improviso jazzy, com Bellamy num piano “ornamentado” com um megafone, que indicava a próxima: Feeling Good, quando produtores infiltrados entre o público na pista, na área VIP e até mesmo nos camarotes jogaram confetes na platéia.

O show continuou com Osaka Jam, Invincible, New Born e chegou a Starlight, que traz em seus versos o nome do disco de 2006, “Black Holes And Revelations”. Improvisaram depois uma bossa nova em cima de um tema de Villa-Lobos, tocaram Time Is Running Out e encerraram o show com Plug In Baby, quando soltaram dez balões de confetes para os fãs, que acharam tudo tão bacana, que esqueceram de aplaudir quando a música terminou. Quatro minutos depois, eles voltaram para o bis, que abriu com Stockholm Syndrome, que também teve lá seus improvisos. Nesta volta do bis, o batera Dominic Howard apareceu enrolado em uma bandeira do Brasil, usando uma cartola verde e amarela, saudou o público e foi retribuído com gritinhos e aplausos. O encerramento ficou por conta de Take A Bow, que, para os desavisados, não é a mesma da Madonna.

Uma hora e meia de rock, que reuniu indies, emos, admiradores de hard rock e fãs de britpop, numa espécie de encontro ecumênico de tribos, que reflete bastante a versatilidade do som do Muse. A turnê pelo Brasil termina sábado, no 11º Festival Porão do Rock, em Brasília. Quer ir?

Serviço
Muse no HSBC Brasil
Quinta-feira, 31 de julho, às 22h
Ingressos: entre R$ 140 (pista) e R$ 250 (camarote)
HSBC Brasil: Rua Bragança Paulista, 1281, Chácara Santo Antônio, São Paulo
Classificação: 14 anos

Muse no Festival Porão do Rock
Sábado, 2 de agosto, 0h25min
Ingressos: R$ 20 (pista) e R$ 80 (camarote)
Estádio Mané Garrincha, Brasília
Classificação: 18 anos

Fotos de JP Lages