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“Filmasso!” Foi com esta sensação que eu saí na última segunda-feira do cinema da UFF, após assistir à animação “baseada em fatos atuais” Valsa Com Bashir (Waltz With Bashir, dir. Ari Folman, Israel/Alemanha/França, 2008). Conta a história da invasão do Líbano, em 1982, sob a ótica de militares israelenses (os invasores) e de um correspondente de guerra. As imagens fortes do horror da guerra “descem mais fácil” com o uso do desenho animado, mas não são atenuadas. No final, uma cena capaz de emocionar boa parte do público.

O longa é inquietante e nos deixa com aquela sensação de que não dá mais pra concordar com uma guerra. Mostra como os cristãos são crueis e como os palestinos também o são; que não existe mocinho numa guerra. Muitas vezes a gente se esquece disso, né?

Quem ainda não viu e mora perto de Niterói tem a chance de dar um confere. Até o próximo dia 28, Valsa Com Bashir fica em cartaz no Cinearte UFF (Rua Miguel de Frias 9, Icaraí – Niterói). Hoje, às 19h10 e de amanhã até quinta que vem, às 21h. Os ingressos inteiros custam R$ 2 às segundas, R$ 6 de terça a quinta e R$ 8 de sexta a domingo. Não recomendado para menores de 16 anos. Leia mais no G1.

A seguir, dois trailers:


A trilha sonora é um espetáculo à parte:


Trata-se de um filme tão importante quanto Hotel Ruanda (Hotel Rwanda, dir. Terry George, EUA/Itália/África do Sul, 2005). Aliás, quem não viu este filme sobre a guerra civil no país africano, precisa ver o quanto antes.

há 20 anos

1ª digital: há 20 anos

Não sei se as pessoas que estão de fora conseguem perceber isso, mas pra gente, que trabalha com jornalismo, as inovações tecnológicas só são percebidas basicamente em três situações: Copas do Mundo, Olimpíadas e guerras envolvendo grandes potências. Isso porque estes três “eventos” possuem relevância mundial. A primeira transmissão de alta definição foi feita na Copa do Mundo de 2002, apesar de ninguém ter em casa uma TV HD. As câmeras fotográficas digitais estrearam nas redações durante as Olimpíadas de 1992 (as primeiras com mídias removíveis, como conhecemos hoje, foram produzidas quatro anos antes pela Fuji), mas começaram mesmo a ganhar importância na Copa de 94.

Videofone da CNN no Afeganistão, em 2001

Videofone da CNN no Afeganistão, 2001

A Guerra do Golfo, que começou em 1990, ficou marcada por ter sido a primeira transmitida ao vivo, via satélite, para o mundo inteiro, pela rede CNN. Em 2001, novamente a CNN, lançou o videofone, que integra internet e telefonia celular via satélite para transmitir reportagens de TV, tornando-se indispensável nas grandes emissoras do mundo, principalmente durante a invasão estadunidense ao Afeganistão. A qualidade das imagens era sofrível. Um ano e meio depois, na Guerra do Iraque, a transmissão de dados em alta velocidade  (a tal transmissão em broadcast) permitia maior independência das emissoras presentes em relação às agências de notícia, maior qualidade e maior rapidez. Finalmente, as Olimpíadas de Pequim vieram para provar que, sim, a TV digital tem lá suas falhas ainda, mas veio pra ficar.

Mas o que Barack Obama tem a ver com tudo isso? É que, pela primeira vez uma emissora de TV transmitiu, ao vivo, uma “conversa” entre um âncora e o holograma de uma comentarista. Parece De volta para o futuro, mas aconteceu na noite de ontem, na CNN e você pode conferir abaixo. Isso dá dimensão global à eleição presidencial daquele que, gostemos ou não, é o país mais importante do mundo, onde começou há dois meses uma crise econômica mundial, de duração e efeitos ainda desconhecidos. Para a CNN, a elição nos EUA tem relevância de um grande evento mundial, como uma Copa do Mundo, as Olimpíadas ou uma grande guerra. Tecnologicamente a novidade é estupenda! E, felizmente, nenhum lugarejo precisou ser bombardeado para que esta inovação fosse apresentada ao mundo. Veja: