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Imagine o seguinte: você tem uma banda de rock famosa e lança, em 1985, um single que se tornaria um dos maiores clássicos de todos os tempos – aquele que quando toca a introdução, todo mundo cantarola. Aí, 26 anos depois, a galera “descobre” que sua letra é ofensiva e decide banir sua música da programação de todas as rádios de um dos maiores países do mundo.

Viagem? Não, não!

Isso aconteceu em janeiro deste ano, com a música “Money for Nothing”, do Dire Straits.

Depois de escutar a faixa na CHOZ-FM, no ano passado, um ouvinte mala reclamou no Canadian Broadcast Standards Council (CBSC) – órgão regulador -, que, por sua vez, considerou a letra muito ofensiva para todas as emissoras canadenses, porque a palavra faggot (veado) aparecia três escandalosas vezes. Resultado: baniram a música das rádios.

Até que setembro chegou e… o banimento foi suspenso. #todascomemora

Dire Straits - Money for Nothing

Um famoso radialista canadense, chamado Alan Cross, declarou à revista Rolling Stone: “Isso nos fez parecer imbecis aos olhos dos nossos colegas ao redor do mundo. Falei com a galera dos Estados Unidos e do Reino Unido e o pessoal ficou tipo, ‘O que há de errado com seu povo? Não entenderam? Isso é uma piada. Uma sátira. Vocês não conseguiram compreender o contexto?”

Vexame, né? “Money for Nothing” é uma das faixas do álbum “Brothers in Arms” (1985) e rendeu ao Dire Straits um Grammy.

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Certa vez entrevistei a jornalista Cristiana Mesquita e ela me disse que, durante o tempo que cobria Venezuela para a CNN, era odiada pelo governo Chavez e também pela oposição. Isto lhe dava a certeza de que estava fazendo um bom trabalho. Sem dizer com estas palavras, pra ela, o bom trabalho jornalístico é aquele que incomoda, inquieta.

Pois bem: o pessoal do CQC registrou esta semana dois preocupantes casos de violência. O mais recente, ocorrido na noite desta quarta, dia 1º, não tem a ver com esta historinha que eu contei, mas é inaceitável. O repórter Felipe Andreolli estava cobrindo a final da Copa do Brasil, entre Internacional e Corinthians, quando foi agredido pela torcida do Colorado.

O caso mais grave também ocorreu na quarta, mas durante o dia. O repórter Danilo Gentilli foi agredido, empurrado no chão e ainda foi acusado de ter armado tudo. O problema é que as agressões (registradas pela equipe de TV) partiram dos seguranças do presidente do Senado, José Sarney, que está afundado em uma crise sem precedentes, depois de ter escondido patrimônio da Justiça Eleitoral e ter empregado ao menos uma dezena de familiares no Legislativo através dos chamados “atos secretos”. Até o mordomo da filha se deu bem nessa.

Curioso o pessoal do Sarney fazer isso mesmo após a Folha informar que o programa sofrera censura, exatamente favorável aos políticos. Ou seja, se a censura (desmentida pela Band) realmente existir, pode-se dizer que foi um “tiro no pé”.

Ao menos sabemos que o CQC incomoda. Incomoda os políticos, incomoda até a própria emissora. Bom trabalho, pessoal!

A gente jura que volta a escrever sobre música depois dessa, mas é importante.

criação da agência de publicidade Grey New York

Obama branco e McCain negro: criação da agência de publicidade Grey New York

No últimos dias, muita gente veio comentar que a imprensa brasileira está cobrindo tão bem as eleições nos EUA, mas não foi capaz de fazer o mesmo aqui no Brasil. Bom, sem querer ser corporativista, parto em defesa dos coleguinhas (como os jornalistas se tratam). O problemas é que no Brasil, a legislação eleitoral restringe demais a liberdade de imprensa. Vocês devem lembrar que a revista Veja e o jornal Folha de São Paulo foram alvos de ações judiciais altamente restritivas da censura, que agora age togada.

Não quero defender ataques gratuitos aos políticos, mas bem sabemos que, por mais “de esquerda” ou por mais “de direita” que sejam os grandes veículos de comunicação brasileiros, em geral, existe uma responsabilidade muito grande quanto àquilo que é veiculado. Se existe embasamento, fundamentação, é, sim, um ato de censura proibir a publicação de uma reportagem ou punir um jornal ou uma revista.

Outro aspecto interessante é que a legislação prevê que todos os candidatos majoritários (aos cargos de prefeito, governador e presidente) recebam dos jornais, revistas, rádios e TVs o mesmo espaço. Aí, temos problemas como:
1) tem candidado que não rende uma notinha de rodapé;
2) é razoável cobrar este comportamento das emissoras de rádio e TVs abertas, uma vez que as freqüências em que operam são concessões públicas, mas os jornais e revistas são propriedades privadas e, sinceramente, acho muito ruim o governo ficar interferindo; é como se você tivesse uma birosca e só trabalhasse com Ambev e o governo te obrigasse a trabalhar com a Coca-Cola;
3) será que o governo não tem mais o que regular? Os critérios de regulação das companhias telefônicas, por exemplo, foram adaptados de modo a favorecer a compra da Brasil Telecom pela Oi, que, agora, domina o setor em todo o país e tem uma história mal contada envolvendo o filho do Presidente da República;
4) os anúncios governamentais mantêm as mídias eletrônica e impressa e, só por isso, grande parte dos jornais, revistas, rádios e TVs aceita as regras sem questionar; pior para o público.

Agora, você acha que, numa eleição, os nossos governantes (dos três Poderes), muitos com os dois pés na lama, vão deixar a imprensa livre para informar a população? Acho que não… Dificilmente Barack Obama conseguiria se tornar presidente num país como o Brasil. Os norte-americanos, com uma imprensa livre (pero no mucho) fizeram ontem a festa da democracia deles. A nossa, parece que só virá – se vier – num futuro muito distante.

Sei que dia desses o Bernardo me emprestou a fita do documentário Live! Tonight! Sold out!!, da turnê que o Nirvana fez em 1993, com algumas explicações sobre como chegaram até ali e tal… Ah, sim! Eu disse fita. FITA. VHS. Lembra? Pois é… Descobri que já rola uma versão em DVD. Descobri também que meu videocassete ainda funciona. Faz assim: se você tiver menos de 20 anos, clique aqui e aqui também.

Fita VHS. Lembra?

Fita VHS. Lembra?

Bom, não vou comentar o vídeo inteiro, mas apenas um trecho emblemático (lembrei dos professores da faculdade agora). Para saber como foi o show, apresentado por João Gordo, veja o blog Search & Destroy, do Eric Paranoid. O trecho que eu quero comentar é narrado assim pelo Eric:

[Durante a música Scentless Apprentice] Kurt faz seu show particular. Pega um abacaxi (de onde ele veio eu não sei) e o esmagou na guitarra. Depois desce da parte superior do palco e tenta tirar umas armações esquisitas que estavam ali. Como não conseguiu, se dirige as câmeras da Globo, quando faz uma dança esquisita para elas, além de cuspir nelas e simular uma masturbação. (…)

Foi uma apresentação única do Nirvana, longe de ser profissional, mas com um senso de atitude que faz falta hoje em dia. O boato era que Kurt estava tão drogado que mal conseguia ficar em pé. Depois foi dito que, quando a banda ficou sabendo que o festival era patrocinado por uma grande companhia de cigarros e que seria transmitido pela maior rede de tv do país, os caras não gostaram nada e resolveram fazer aquele show atípico.

Kurt simula masturbação para câmera da Globo

Kurt simula masturbação para câmera da Globo

Desnecessário e redundante falar sobre a falta de atitude numa época em que é preciso engolir que o NX Zero foi aclamado por voto popular “a melhor banda do ano”, num relevante prêmio musical, título entregue já várias vezes para Pitty. Eu até gosto da Pitty, mas… “banda do ano” é dose! Vale ressaltar que a falta de atitude está nas bandas e no público, em doses iguais. Tipo: o público do NX Zero tem tanta atitude quanto a banda em si; assim como o público dos Stooges tem tanta atitude quanto Iggy Pop e os irmãos Asheton.

Mas, voltando ao assunto, o que chama atenção, mesmo, é o fato de a transmissão não ter sido interrompida imediatamente. Ou, então, a TV Globo ficar mostrando imagens da platéia ou do Krist e do Dave tocando. Mostraram toda a isolência do Kurt. Ali estávamos em 1993, a apenas oito anos do fim oficial da ditadura militar, que tinha aquela coisa toda de censura. Hoje, até mesmo um show messiânico do U2 é transmitido com delay. Vai que o Bono resolve fazer bundalelê pelas criancinhas pobres da etiópia, né? Dá tempo de cortar!

Kurt manda o som

Kurt manda o som

O pior é que seria mole demonizar a Globo por este tipo de censura, mas, na real, duvido muito que, pelo menos na maior parte dos casos, a idéia de censurar parta do comando no Jardim Botânico. Na verdade, deve partir do departamento jurídico. Pelo que sei, este tipo de coisa ainda não acontece nos telejornais ao vivo. Eu disse ainda, porque nos EUA, é comum as emissoras grandes, como CNN, MSNBC, ABC, Fox e CBS usarem roteiros pré-definidos para as entrevistas “ao vivo”. Mesmo assim, as entrevistas dificilmente ocorrem “ao vivo”. Normalmente rola um delay, um atraso de alguns segundos, para se o entrevistado falar algo fora do roteiro, a emissora cortar a transmissão a tempo.

Parece antagônico, mas a censura só acontece por causa do fortalecimento daquilo que convencionamos chamar democracia. É que uma pessoa pode se sentir ofendida pela transmissão e processar o canal de TV. E isso, em si, é antidemocrático, porque limita muito os direitos de liberdade de expressão e de informação, garantidos pela nossa esquizofrênica Constituição. Por enquanto, a internet me parece bem mais democrática. Talvez daqui a três ou quatro anos já não seja, mas a gente sempre arranja um jeito de driblar essa bobagem de censura. Por falar nisso, segue o vídeo do Nirvana no Hollywood Rock de 1993:

Numa atitude injustificada e um tanto quanto esquisita, a Associação Brasileira de Provedores de Internet (Abranet), anunciou que pretende bloquear os sites hospedados pelo WordPress.com, um dos maiores serviços de blog do mundo – o que mais cresce no Brasil. De acordo com a notícia publicada no portal G1 (clique aqui para ler), os responsáveis pelo WordPress.com, nenhuma notificação oficial chegou ao escritório (nos EUA) e eles só estão sabendo da fofoca pelos meios de comunicação. Ainda segundo os caras, o WordPress.com só foi censurado na China.

Por via das dúvidas, neste fim de semana vamos fazer um espelho desta LIXEIRA DO POP em outro servidor, mas ninguém merece… Ficar fazendo backup de tudo é um saco!