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*Livremente traduzido do NME.com

Paul McCartney contou para o NME.com que ele está doido para botar as músicas dos Beatles para download na rede.

O trabalho dos Fab Four tem estado fora dos serviços oficiais de download [porque no 4shared e no Torrent não faltam opções], mas o baixista e compositor disse que ele e a banda têm fome de disponibilizar tudo online – e culpou a gravadora EMI pela demora.

“Nós tivemos problemas com os downloads no iTunes – bem, não o iTunes, a EMI era o problema -, que nós gostaríamos de disponibilizar porque há muitas pessoas que querem nossas músicas”, explica McCartney.

De qualquer maneira, o legendário sugeriu que a banda tomasse conta da parada toda, inclusive para evitar problemas com o novo jogo The Beatles: Rock Band, que chega hoje ao mercado.

“Acho que já superamos [os problemas com download] porque agora qualquer mulambo pode fazer isso no Rock Band”, disse. “Sempre curti isso, quando você pensa que já viu de tudo nessa vida de ó meu Deus, o mundo gira de repente e tudo muda”.

O Beatle acrescentou que sua maior pontuação no jogo atualmente é… “zero”, porque ele ainda não jogou. Dããã.

“Nem tentei”, admitiu. “Quando você pega uma demonstração, a molecada joga e eu fico naquela de ‘Céus, isso parece cabuloso!'”

A entrevista com Paul McCartney está no NME desta semana, numa edição especial dedicada aos Beatles, que chega também hoje às bancas do Reino Unido, com nada menos que treze opções de capa. Cada uma com uma capa de disco dos rapazes de Liverpool. E ainda vem com um CD de versões. Eu quero!!!

E também hoje será lançado o catálogo dos Beatles digitalmente remasterizado. Tem muito fã que tá com vontade de quebrar uma guitarra na cabeça de alguém por causa disso.

Bora twittar? http://wp.me/pdGj4-Cp

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A Cler Oliveira, editora do Hit Na Rede, e o Carlos Lopes, editor de O Martelo, viram badalados filmes sobre Kurt Cobain e, em seus devidos blogs, deixaram suas impressões. Nós aproveitamos pra destacar um trecho de cada:

Carlos Lopes gostou de Retrato de Uma Ausência (About a Son), de A. J. Schnack

Não se toca a música do Nirvana (segundo as palavras de Cobain, a banda que misturou “o som pesadão do Black Sabbath, com baladas pop e a música dos Beatles”) e a única vez na qual as fotos (em preto e branco) da banda são exibidas é no final, para dar por encerrada a via crúcis de depoimentos, sinceros e exagerados do sujeito que fugiu da minúscula Aberdeen (Washington), na qual o pai contava toras de árvores suicidadas, para a úmida Seattle, cidade que Cobain sempre amou odiar. Texto completo em O Martelo.

Cler Oliveira não gostou de Last Days, de Gus Van Sant

O filme abusa do silêncio, das sequências longas, dos planos muito abertos, da licença poética para criar um emaranhado de cenas que saem do nada para lugar nenhum. Van Sant esquece que Kurt , além de emblemático e problemático era também carismático. Mesmo há algumas horas de cometer o suicídio  ele merecia algo mais impactante.  É no mínimo constrangedor dizer que eu estava esperando pela morte do cara achando que esta seria a melhor cena do filme. Não foi. Texto completo no Hit Na Rede.

Não vi e acho que nenhum dos GARIS DO POP viu nenhum dos dois filmes. Precisamos providenciar isso para breve.

Ontem cantamos a Lua. Ou à Lua, se preferir. Que tal hoje cantarmos o espaço sideral (ia escrever o “universo”, mas sabemos que é melhor usar espaço sideral)?





E um trailer do filme Christmas on Mars (Natal em Marte), de 2008, dirigido pelo Bradley Beesley e pelo Wayne Coyne, frontman do Flaming Lips:

Por Rodrigo Baptista

Qual é o futuro da música? Essa pergunta aparece todos os dias nos jornais. Depois da morte de Michael Jackson, que, aliás, reviveu no mercado fonográfico vendendo cerca de 800 mil CDs em uma semana, – mais do que vendera na última década – ouvi e li muitos comentários sobre o fim dos grandes astros.

Alguns críticos apontam a morte do Wacko Jacko como o símbolo maior da nova fase da indústria musical, aquela em que não teremos mais quase-unanimidades como ele ou Roberto Carlos, que comemorou seus 50 anos de carreira no último fim de semana no Maracanã.

Na era digital da música – dizem os críticos – não há espaço para Beatles ou Rolling Stones, mas para artistas locais ou sub-celebridades instantâneas como Susan Boyle, as quais esqueceremos em uma semana ou menos. Nosso background cultural dificilmente terá semelhanças.

Será mesmo? O Arctic Monkeys é uma banda surgida já no ambiente digital. Ok, talvez não seja o melhor exemplo de popularidade, pois atingem um nicho específico, mas chegaram a tocar com alguma frequência no “pop-dial” carioca.

Não sei aonde vão chegar os rapazes de Sheffield – apesar de não acreditar que irão muito longe – mas o mesmo deve ter sido dito também sobre os Beatles em sua fase iê-iê-iê, sem querer comparar, mas já comparando.

Acho difícil pela própria configuração da indústria musical, realmente, que tenhamos as tais quase-unanimidades como Michael Jackson, Madonna, Beatles, Rolling Stones ou Roberto Carlos, para ficar no Brasil.

Vivemos na era dos downloads, na qual podemos baixar músicas e deletar sem muita preocupação. Podemos criar nossas próprias playlists. Podemos ouvir bandas do norte do sudoeste da Finlândia ou mesmo os clássicos, como vender milhões de cópias como antes? A pergunta da indústria deve ser transformada em motivação na constante busca por novos formatos e novas mídias, na eterna busca pelos anseios do mercado e, para sair dessa esfera mercadológica, na vital busca por novos artistas de qualidade.

Porque, se há algo em comum entre Beatles, Michael Jackson ou Roberto Carlos – independentemente do gosto pessoal ou do gênero – é a qualidade. Mesmo com nuances na carreira, o que é natural, eles criaram músicas eternas. Um punhado de sons hoje clássicos, não só porque muito venderam, mas porque tinham qualidade para vencer o tempo.

Há 35 anos a banda The Wings, que Paul McCartney formou com a então mulher Linda após o fim dos Beatles, lançava um single que até hoje encanta admiradores do bom rock. O riff da guitarra é marcante, o vocal é marcante, a virada da bateria é marcante. Eu, pelo menos, não me canso de ouvir. E juro que me emociono cada vez que ouço. Que nem esses brasileiros sortudos que viram o Macca chamar o Dave Grohl pra levar este som há um ano e uma semana, em Liverpool:

Band On The Run, uma parceria do ex-Beatle com Linda, tem o mesmo nome do disco lançado no finalzinho de 1973. Disco este que, nos EUA, alcançou o topo das paradas e foi o mais vendido de 1974, recebendo naquele ano o certificado de platina tripla (3 milhões de cópias vendidas). Inteiramente gravado na Nigéria, o álbum rendeu o Grammy de melhor performance de vocal pop de um grupo, em 1975, estava em 75º lugar na lista dos 100 melhores discos britânicos de todos os tempos da respeitada revista Q e em 418ª posição no ranking dos 500 melhores álbuns de sempre da revista Rolling Stone.

O single Band On The Run não fez por menos: no dia 8 de junho de 1974 alcançou o topo da lista pop dos EUA e ficou lá, quietinho, sem ninguém incomodar, durante nada menos que 13 semanas. O compacto havia sido lançado em abril na França e nos EUA e naquele mês na Inglaterra. De cara, foi “disco de ouro”, com mais de 500 mil cópias vendidas. Além disso, ano passado a música apareceu, como você vê acima, no game Guitar Hero: World Tour. Diz aí: quanta grana Sir Paul McCartney já não colocou debaixo do colchão só com esta música, hein?

É claro que várias bandas fizeram e ainda fazem cover desta faixa, mas a versão que aparentemente mais agradou Macca (vide o primeiro e o terceiro vídeos deste post) foi feita pelo Foo Fighters para a coletânea Radio 1. Established 1967, lançada em 2007 para comemorar os 40 anos da Radio 1, da BBC (aliás, recomendo o download; trata-se de um álbum duplo, com versões ótimas e outras nem tanto, mas que valem a pena ouvir).

Termino, então, com o vídeo da canção original. Deleite-se e boa semana! The Wings, Band On The Run.

A queridíssima Selma Boiron indicou o vídeo que a Mara publicou no blog Mente que Bloga, num post que dizia assim:

É emocionante! as pessoas foram convocadas a aparecer na Trafalgar Square – Londres, sem saber o motivo (quem sai de casa sem motivo? eu não teria ido e me arrependido!) e foram surpreendidas com os microfones…

eu amo Hey, Jude, e sempre lembro de um documentário sobre os Beatles que vi há muito tempo, onde o Paul dizia da sua emoção ao cantar essa música, pois ele estava escrevendo, e o Lennon do nada adicionou o lindo verso “don´t carry the world upon our shoulder”. Ele disse que foi uma frase tão tocante que toda vez que os Beatles apresentavam essa música, nesse trecho os dois se olhavam… não é lindo?

Fica a lição… não carregue o mundo nos seus ombros!

Tá dado o recado! (Ou, como diria o cara do Kibeloco: ficadica)

Agora, que os dois GARIS mais novos já contaram como chegaram até aqui, vou contar como eu e o outro GARI criamos este blog. Há um ano e um mês, mais ou menos, nós dois trabalhávamos numa rádio rock dirigida lindamente pela Selma Boiron. Tudo muito bem… A gente teve a ideia de fazer um programa chamado LIXEIRA DO POP. E de onde surgiu esta ideia? De bobagens que a gente falava, basicamente comparações, tipo: “o John Mayer é o Jay Vaquer gringo”.

A Selma estranhou o nome, porque a rádio era maior sisudona no rock, mas a gente queria propor uma ironia quanto a essa cultura pop que todos os dias entope nossas goelas – ou ouvidos – de lixo, seja no rádio, na TV ou na internet. O plano era que qualquer pessoa com dois neurônios ou mais conseguisse entender isso. Descobrimos que muita gente não tem nem esses dois neurônios. Mas ficamos felizes por termos conquistado uma audiência qualificada, com capacidade de compreender tudo o que escrevemos, desde quando falamos sobre desde a prisão do banqueiro Daniel Dantas até uma prova que a TV sempre foi a real LIXEIRA DO POP.

Gostem ou não, prometemos continuar assim, ok?

Bom, mas hoje é dia de indicar downloads gratuitos e LEGAIS. Para baixar alguns, talavez seja necessário se cadastrar gratuitamente, mas são formulários rápidos. Na lista, Beirut, Empire Of The Sun, Nine Inch Nails e Placebo. Pra começar, um remix “ixpérrrto”, do Franz Ferdinand. Porque a gente adora o Franz, cara! (piada interna, não procurem entender):

Franz Ferdinand – No You Girls (RMX)
Uma das melhores faixas do disco mais novo dos escoceses, Tonight, remixada pelo Rogue Element. Combina muito com a versão eletrônica de Lucid Dreams, aquela que está no álbum. Repetindo: é eletrônica. Depois não vem, dizer que baixou pensando que fosse um puta rockão.

Beirut – My Night With The Prostitute From Marseille
A banda de Santa Fé (Novo México, EUA) ficou famosa nas rodas indies brasileiras com Elephant, tema de abertura da minissérie Capitu, da TV Globo. A faixa que eles liberaram traz o mesmo vocal hipnoticamente arrastado, num som menos etéreo e mais dançante. Bem legal!

Empire Of The Sun – Romance To Me
Pop? Indie? Psicodélico? Não importa! Som da melhor qualidade, feito pela dupla australiana que bebe de fontes como Spandau Ballet, Duran Duran e Prefab Sprout. Ouvi falar sobre eles na Rio Music Conference e gostei bastante do som. O nome da banda foi assumidamente surrupiado do romance Império do Sol, de JG Ballard, (que em 1987 virou filme sob a batuta de Steven Spielberg) que a banda conheceu quando esteve em Shangai. Este single é inédito e, por isso, não está no disco de estreia, Walking On A Dream (2008).

FAROFF – The Beatles vs LCD Soundsystem vs The Kinks
Já falamos sobre esse brasileiro que faz mash-ups sensacionais num post anterior. Agora, uma sugestão pra você baixar. Vale a pena entrar no MySpace dele e catar todos os links. Tem muuuitos downloads gratuitos pra fazer lá. E lá no MySpace tem datas de discotecagens do cara aqui por território tupiniquim.

Hungry Kids Of Hungary – Scattered Diamonds
A faixa faz parte do segundo EP do quarteto australiano, Mega Mountain (2009). O grupo, que ainda não tem nem dois anos de formação, já bomba nas rádios rock da terra-natal, com um som em que tentam misturar influências do rock inglês (hmmm… Soa colonial? Bastante. Isso é ruim? Não), dos anos 1960 pra cá.

Metric – Help I’m Alive (acoustic)
É uma banda que vale a pena conhecer. Eles já tocaram por aqui num show aberto em 2008, no festival Motomix, ao lado do Go! Team. Esta é a versão acústica da faixa que deve abrir o disco Fantasies, previsto para chegar às lojas lá de fora no dia 14 de abril. Mas não precisa esperar até lá pra matar a curiosidade. O quarteto canadense colocou dez faixas novas pros fãs ouvirem de graça no site. Numa primeira audição, me pareceu melhor que os dois discos mais recentes, Live It Out (2005) e Grow Up And Blow Away (2007).

ninjaNine Inch Nails – NIN/JA 2009
O nome sugestivo é o título do segundo EP promocional da atual turnê do Nine Inch Nails, baseada no disco The Slip (2008). O primeiro EP foi lançado no ano passado e, assim como este, trazia faixas que incluíam o NIN e as bandas que abriam os shows da excursão. Agora são duas músicas de cada grupo: Street Sweeper, Jane’s Addiction e Nine Inch Nails. Desses dois últimos surgiu o nome do petardo: NIN/JA 2009, que nada tem a ver com artes marciais. Dá pra baixar o EP e mais um monte de músicas do bandão do Trent Reznor de grátis e em alta definição. E tem mais: depois de baixar, você pode remixar (lá ensina como faz – em inglês) e enviar a sua versão pro site. Aí, os outros fãs podem ouvir e baixar. Tudo for free. E rock da melhor qualidade, sem frescura. Ou seja, tem moral de sobra pra detonar o Chris Cornell.

Placebo – Battle For The Sun
Estreando baterista novo, com a mesma pegada irresistível de sempre e a promessa de um disco mais ensolarado. Será que os fãs vão curtir este novo Placebo? Provavelmente sim, a julgar pelo primeiro single, que também dá nome ao disco, Battle For The Sun, previsto para chegar às lojas gringas no dia 8 de junho. Só para registrar, o novo baterista se chama Steve Forrest e é californiano. O que contribui para a nossa dúvida: por que o Placebo é considerado um grupo londrino se o vocalista/guitarrista Brian Molko é belga e o baixista Stefan Olsdal é sueco? Bom, dane-se! Poderiam ser considerados sudaneses, que a gente continuaria curtindo.

School Of Seven Bells – Half Asleep
A música começa bem nesse clima mesmo, “quase adormecido”, mas fica animadinha e dá até pra dançar. O trio novaiorquino é formado pelas gêmeas Alejandra e Claudia Deheza e pelo ex-guitarrista do Secret Machines, Benjamin Curtis. A imprensa lá fora costuma dizer que o som deles é um “electro dream pop” e gosta de compará-los a My Bloody Valentine, Kate Bush e Cocteau Twins. Ficou curioso, né? Baixe aí e tire suas próprias conclusões.

Agora, com tantas dicas de downloads, nos resta desejar um ótimo fim de semana geek pra você! E aproveita enquanto é gratuito. Divirta-se!

Parabéns a todos nós, que escrevemos, lemos, comentamos e citamos o LIXEIRA DO POP por este primeiro aniversário. É… Hoje faz um ano que estamos no ar. Para comemorar, uma série de posts especiais.

E chega de conversa que todo mundo quer saber qual presente o blog aniversariante apresenta hoje. Uma coisa que eu realmente gosto é um bom mash-up, saca? Juntar, sobrepor, mixar, mesclar, samplear duas, três, centas músicas para fazer um algo completamente novo. Aliás, talvez foi por ter puxado tanto o assunto de mash-ups com o Victor que ele teve a idéia de me chamar pra cá. Bom, seja como for, eu, parte da comunidade Get Your Bootleg On, já gastei muuuuitas horas garimpando coisas legais por aí. E, catando mash-ups, eu acabei conhecendo muitas bandas legais.

A técnica começou a chamar atenção em 2004, com o trabalho do DJ Danger Mouse (não estranhou o nome? O cara é a metade mais magra do Gnarls Barkley e também produz – no currículo ele tem, por exemplo, o último e maravilhoso álbum do Beck, Modern Guilt). Ele juntou os vocais do Black Album, do Jay-Z, com uma mescla de instrumentais do White Album, dos Beatles. Formou-se então o The Grey Album, disponível para download em torrent aqui.

Um mash-up não é coisa simples de se fazer. É preciso encontrar músicas que se encaixem, ou fazer um esforço modificando o tempo, recortando, remontando e adequando os ritmos. O mash-up mais clássico é aquele em que o instrumental de uma música é colocado com os vocais de outra. Mas os mais legais são aqueles em que é tudo recortado, misturado e colado para formar algo realmente criativo e inovador. E você saberá quando um mash-up for realmente bom quando sentir falta das intervenções ao escutar uma música original. Por exemplo, meu favorito é do DJ Party Ben: Hung Up On Soul, Madonna vs. Death Cab For Cutie (sim, um mash-up sempre é apresentado como uma música versus a outra, e o novo título é uma mistura das músicas envolvidas). Pois bem, hoje eu não consigo mais ouvir Soul Meets Body do Death Cab, música utilizada no mash-up, sem cantarolar “hung up…” no refrão.

A cena mash-up lá fora é bem mais desenvolvida. As festas Bootie têm edições em NY, Los Angeles, Paris, Munique e por aí vai. No Rio de Janeiro, eu mesma já fiz uma! Ok, era uma festinha de aniversário, mas eu só toquei mash-ups e a galera curtiu… Ah, e por que “bootie”? É abreviação de bootleg, algo escamoteado, pirata, contrabandeado. No mundo dos booties, as músicas alheias são utilizadas à vontade para produzir algo completamente novo, e os downloads são abundantes pela net. Os DJs disponibilizam mesmo, o legal é distrubuir o trabalho, testar com a galera se está bom, divulgar seu nome.

Parece-me que o modo mais “fácil” ou básico de fazer um mash-up (digo isso porque é o que mais se vê por aí) é juntar os vocais de um hip-hop com alguma música rock ou pop rock. Fica ok, mas na maioria das vezes peca na falta de inovação (e é chato se você não curte hip-hop). Se uma música é hit por aí, geralmente todo mundo corre pra fazer o mash-up clássico (vocal de um + instrumental de outra) com qualquer uma que combine mais óbviamente (o tempo é semelhante, etc). Músicas pop tipo fabricação dão mash-ups corretos, mas também sem muita graça (vide o tanto de mash-up com I Kissed a Girl e Bleeding Love). Acaba como se fosse mais um remix da música de sucesso. Interessante é juntar músicas que não têm mesmo nada a ver, mas que encontram uma harmonia surpreendente. Vai do talento e da criatividade do DJ mesmo.

Eis o desfile de alguns selecionados:

Da série “separados no nascimento”, um exemplo de músicas feitas uma para a outra: Divide & Kreate juntaram Do Something, da Britney Spears com Supermassive Black Hole, do Muse.

Um exemplo de um mash-up com o “a capella” de uma e o instrumental de outra… eis Back to Virginity, do DJ Phil Retrospector, que une Like a Virgin, da Madonna, com Back To Black, da Amy Winehouse. Resultado bem interessante…

O DJ Earworm é mestre em pegar umas 20 músicas e encaixar tudinho numa só. E fica bom! Nessa ele reúne as 25 top músicas das paradas americanas em 2007 sobre a base de uma delas, Umbrella, da Rihanna. E se você ouvir algumas vezes, você decora e fica cantando elas juntas como se fossem uma música só mesmo.

Eu gosto muito desse mash-up, porque junta quatro músicas pra fazer uma completamente inédita. O ritmo formado nesse instrumental é uma aglutinação de Do You Think I’m Sexy, do Rod Stewart, Sexyback, do Justin Timberlake, e um remix de Deceptacon, do Le Tigre. Todas elas músicas contribuem nos vocais em certos momentos, mas a maior parte é tirada de Move Along, da banda All American Rejects, um poperô dessa nova leva (tenho medo de cometer algum erro grave se chamá-los de emo, mas tudo bem) até um bocado deprê no original, mas vira uma música super felizinha nessa salada.

Um tipo de mash-up muito comum é o hip-hop + música que originalmente não teria nada a ver. Juntar In Da Club, do 50 Cent, com Stayin Alive, do Bee Gees, acabou ficando bem legal.

Talento brazuca na área! FarOFF ainda tem muito arroz, feijão e farofa pra comer, mas já está despontando como um grande nome do mash-up. Radicado nos EUA, tocou na edição de março da festa Bootie NY. E isso é bem legal! Já recebi reclamações que não há mash-ups com músicas brasileiras, e isso é um crime. Esse cara já usou CSS, mas aí num vale… os DJs brasileiros têm que começar a entrar nesse negócio e usar a produção nacional. Imaginem quanta coisa legal ia rolar. Bom, essa une Beatles, Kinks, Daft Punk e LCD Soundsystem.

E pra tocar na comemoração de um ano do Lixeira! Dj Immuzikation juntou Time to Pretend, do MGMT, com One More Time, do Daft Punk, e fez uma pérola dançante.

Have fun!

bangladesh_7073Esta semana (na verdade, amanhã) o meu, o seu, o nosso LIXEIRA DO POP completa um ano no ar. Então, planejamos aqui uns posts especiais para a festança. Hoje a gente comemora outro aniversário: o da estreia do filme The Concert For Bangladesh nos cinemas. Foi há exatos 37 anos, em Nova Iorque, com ingressos esgotados (veja o cartaz ao lado). O famoso Concerto ocorreu no ano anterior, como relata a Wikipedia:

O Concerto para Bangladesh (em inglês The Concert for Bangladesh) foi um evento constituído por dois shows beneficentes organizados por pelo ex-beatle George Harrison e por Ravi Shankar. Os dois shows ocorreram na tarde e na noite de 1 de Agosto de 1971 no Madison Square Garden, em Nova York, e foram assistidos por mais de 40.000 pessoas. Foi o primeiro evento beneficente desse porte na história e contou com vários artistas consagrados como Bob Dylan, Eric Clapton, Ringo Starr, Billy Preston e Leon Russel. O conceto arecadou no total US$243.418,51 que foi administrado pela (sic) UNICEF. As vendas do álbum e do DVD continuam a beneficiar o fundo de George Harrison para a (sic) UNICEF.

Ainda hoje a venda de discos e vídeos deste grande show é revertida para causas humanitárias e existe, inclusive, uma página oficial.

A seguir, vídeos deste concerto histórico. Como diria nossa querida (a nossa GARI acabou de me confessar por email que a conhece pela “voz no rádio”; um GARI a conhece pessoalmente; outros dois GARIS foram muito felizes quando a tiveram como chefe) Selma Boiron, “meninos, de joelhos!”:





A Lixeira do Pop conta com bastante assunto mainstream, afinal, chama mais a nossa e a vossa atenção o que anda em evidência na cultura pop mundial contemporânea. Mas, para nos redmidir um pouco e prestar um serviço à cultura pop mundial ( atenção à megalomania), vamos tentar – vez por outra – utilizar esta seção fundo da lixeira  para resgatar o que ficou esquecido na montanha de lixo e luxo da música pop-rock-alternativa.

Para abrir os trabalhos, o post de hoje é dedicado à banda Módulo 1000.

-Má que porra é essa?

Trata-se de um grupo de rock brasileiro que seguiu por uma vertente psicodélica-experimental nos anos 1970. Ok, isso nem é tanto mérito, já que quase todo mundo embarcou nesta viagem.  O lance é que a banda carioca, formada por Luiz Paulo (órgão, piano e vocal), Eduardo (baixo), Daniel (guitarra) e Candinho (bateria), não fez isso de qualquer maneira.  Os caras caprichavam na produção – mesmo com a precariedade dos equipamentos disponíveis no início dos anos 1970 por aqui.

Módulo 1000 posando pra foto

Módulo 1000 posando pra foto

O álbum Não fale com paredes (1971?), único da discografia oficial – se é que podemos chamar apenas uma bolacha  de discografia –  por exemplo, apresenta melodias, experimentações de texturas e letras pra King Crimson nenhum botar defeito. O som não é muito palatável comercialmente falando, mas pode agradar até àqueles que não são muito fãs de progressivo, como é o caso do Gari aqui. Isso porque eles acrescentaram às experimentações sonoras,  o peso de suas influências de Black Sabbath e Led Zeppelin – notadas principalmente em faixas como Metrô Mental e Lem-Ed-Ecag. O disco, no entanto, ficou esquecido nas prateleiras ( pouca gente entendeu – diriam alguns), e segue até hoje relegado ao fundo da lixeira. Ficou curioso? Aqui tem uma resenha legal e o disco pra baixar.

Não fale com as paredes: filho único de mãe solteira

Não fale com paredes: filho único de mãe solteira

O rock progressivo cheio de peso do Módulo 1000 teve origem no conjunto Código 20,  banda formada por estudantes de um colégio da  Zona Sul do Rio de Janeiro durante a década de 1960.

Após percorrer o circuito de bailes cariocas e mudar de formação algumas vezes, o grupo se consolidou em 1969, depois de assinar um contrato para shows com uma boate de São Paulo, a Catraka, e adotou o nome definitivo: Módulo 1000,  inspirado pelos módulos lunares americanos e soviéticos, muito em voga naquela época de corrida espacial.

Durante a temporada na Catraka, o Módulo  tocava o repertório de clássicos da época, como Beatles, Stones, Led Zeppelin e Hendrix.  Foi também nesse período que o grupo conseguiu uma audição na gravadora Odeon, pela qual participou de uma coletânea para bandas novas. Além do Módulo 1000, o LP contava com grupos como Som Imaginário, Tribo e Equipe Mercado.

Os tempos na Odeon também possibilitaram a participação no V Festival Internacional da Canção, em outubro de 1970. O grupo conseguiu se classificar para a final no Maracãnzinho, e os rapazes voltaram pro Rio cheios de moral.

De novo baseada no Rio, a banda participou de espetáculos alternativos como o “Aberto para Obras”, no qual  o público entrava por estreitos corredores e se via separado dos palcos por cercas de arame farpado. Descobrindo finalmente como chegar a seus lugares, as pessoas tinham que escolher entre olhar para baixo, onde estava o Módulo 1000, ou para cima, onde se encontrava O Terço. Isso tudo em meio a exposições de quadros e apresentações de teatro e arte performática. Puro surto alucinógeno.

Módulo em ação no Festival da Record (1969)

Módulo em ação no Festival da Record (1969)

Posteriormente, o grupo teve a chance de gravar um LP pela Top Tape. A banda gozou de liberdade total, mas o resultado acabou não agradando aos interesses comerciais do selo. Em 1971 ( alguns apontam 1972, outros até 1970), saiu Não fale com paredes com uma bem trabalhada arte gráfica distribuída numa capa tripla . O disco não vendeu nada, mas o grupo seguiu se apresentando e compondo suas peças psicodélicas até 73. Só que por falta de perspectiva e dinheiro, os integrantes se separaram e tocaram outros projetos. Luiz Paulo e Candinho, por exemplo, se juntaram a Fernando Gama (baixo), ex-Veludo Elétrico, e formaram o mitológico Vímana. Pouco depois Lulu Santos (guitarra) completou a formação que participou dos festivais Banana Progressiva e Hollywood Rock, em 1975. Quando o grupo lançou em 1977 um compacto pela Som Livre, “Zebra”, Candinho já havia sido substituído por Lobão, e Ritchie Court – aquele mesmo da Menina Veneno –  havia assumido a flauta e vocais.

Se fizer uma busca pela internet, provavelmente vai encontrar algumas páginas com resenhas e comentários apaixonados sobre a banda, sempre elevando o álbum Não fale com paredes  à categoria de “obra-prima” do hard-prog-psych-rock brasileiro.