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Por MARCUS VINÍCIUS LEITE

Uma das grandes bandas do rock brasileiro na década de 80 jamais alcançou o sucesso merecido, numa daquelas grandes injustiças da história, ninguém sabe se por ironia ou por uma afronta do destino. A Escola de Escândalo, formada em 1983, é ainda hoje uma das grandes referências brasilienses no cenário do rock, embora jamais tenha alcançado a projeção que suas bandas-irmãs tiveram – Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude.

O grupo, cuja “formação clássica” era Bernardo Müller (voz), Geraldo “Geruza” Ribeiro (baixo), Luiz “Fejão” Eduardo (guitarra) e Eduardo “Balé” Raggi (bateria), foi um dos pioneiros na cena oitentista, fazendo um crossover entre o heavy metal e o punk – se é que isso existe. A banda nunca gostou de rótulos e se destacava pela brilhante cozinha de Geruza e Balé, a guitarra fenomenal de Fejão e a elegância da voz de Bernardo, que também era o responsável pelas letras da banda, outro ponto forte da Escola.

Passaram pelo grupo outros músicos locais, como Marielle Loyola, que dividia os vocais com Bernardo e, posteriormente, integrou outras duas importantes bandas brasilienses – Arte no Escuro e Volkana – e hoje está no Cores D Flores. Outros dois bateristas também fizeram parte da Escola, antes de Balé assumir as baquetas: Alessandro e Manuel Antônio Fragoso, o Totoni, que hoje trabalha como ator no Rio de Janeiro.

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XXX

Antes de formarem o grupo, Bernardo e Geruza integravam, ao lado de Alessandro (bateria) e Jeová Stemller (guitarra) o grupo XXX, que liderou o movimento punk brasiliense ao lado da Plebe Rude no início dos anos 80 e realizou – junto com Legião Urbana, Capital Inicial, Banda 69 e a própria Plebe – a série de shows antológicos na Temporada do Teatro da ABO, em abril de 1983.

Da banda XXX, que tinha o som mais pesado entre os seus grupos contemporâneos e que mais se aproximava ao punk feito em São Paulo e no Rio, a Escola de Escândalo herdou grande parte do seu repertório inicial, como “Caneta Esferográfica” e “Menino Prodígio”.

A antiga banda de Bernardo e Geruza resolveu encerrar suas atividades quando o guitarrista Jeová saiu, devido à transferência do pai. Antes disso, o grupo conseguiu participar de um programa na televisão local, chamado “Brasília Urgente”.

Cinema

Bernardo ainda atuou no lendário filme “Ascensão e Queda de Quatro Rudes Plebeus”, dirigido por Gutje Woorthman, baterista da Plebe Rude. O filme ganhou o prêmio de um Festival de Cinema Super 8 de Brasília. Neste média-metragem, de aproximadamente 40 minutos, o jovem Bernardo, irmão de André X, da Plebe, protagonizava o vilão que roubava os plebeus no final do filme, que contava com a narração de Renato Russo. O líder da Legião Urbana também trabalhou como “ator”, fazendo o papel de um inescrupuloso empresário da Plebe.

Foi durante as apresentações no Teatro da ABO que Bernardo e Geruza conheceram Fejão, um guitarrista muito conceituado em Brasília e que tocava na banda Nirvana, liderada por Tadeu, futuro vocalista do grupo Beta Pictoris. Juntos, os três – mais o baterista Alessandro – começaram a ensaiar, trabalhando numa alquimia que refletia os gostos musicais de cada, algo que parecia impossível de ser tentado. As influências eram díspares: Van Halen, Led Zeppelin, Metallica, Echo and The Bunnymen, The Beat, Police, Talking Heads e Xtc, além de bandas de ska.

Caindo no eixo Rio-São Paulo

Naquele mesmo ano, o grupo saiu de Brasília para fazer suas primeiras apresentações no Rio de Janeiro, que há pouco tempo já tinha descoberto o rock brasiliense pelas mãos de Herbert Vianna e Os Paralamas do Sucesso. A Escola fez o circuito das danceterias e casas de rock – Circo Voador, Noites Cariocas, Parque Lage, Mamão com Açúcar. Ali, trataram logo de encaminhar demos para as rádios Fluminense e Estácio, mostrando “Luzes”, que depois veio a constar do disco “Rumores”, lançado pelo Sebo do Disco em 1985. A música passou a liderar a parada de sucessos da maldita Flu durante um bom tempo.

O pau-de-sebo Rumores contava ainda com as bandas Finis Africae, Detrito Federal e Elite Sofisticada. As duas músicas apresentadas no disco pela Escola eram “Complexos” e “Luzes”, que tiveram boa execução em Brasília e em algumas rádios do Rio. O disco foi gravado no estúdio Bemol, em Belo Horizonte, e hoje é peça de colecionador. Mesmo diante da boa repercussão do disco no eixo Rio-São Paulo, crises internas balançaram o grupo. A vocalista Mariele deixa a banda em 1986.

O namoro com uma gravadora não demorou e pelo menos duas ofereceram assinatura de contrato e a gravação de um disco. A banda, prontamente, recusou. Os quatro optaram por aguardar um momento mais oportuno para gravar seu disco.

Os amigos da Plebe e da Legião, juntamente com Herbert Vianna, pressionaram a EMI-Odeon para um contrato com a Escola. A gravadora se dispôs a colocar os quatro no Estúdio 1 e Philippe Seabra produziu as gravações para o disco, que seria lançado no formato de Mini-LP, tal qual a Plebe e a paulistana Zero haviam feito.

As cinco canções registradas eram “Atrás das palavras”, “Deuses e demônios”, “O grande vazio”, “Pérolas sem valor” e “Só mais uma canção”. Infelizmente, o disco acabou não rolando.

Pouco tempo depois disso, a banda encerrou suas atividades, para desespero dos fãs e falta de percepção das gravadoras, que ajudaram a acabar com um dos mais dignos e inteligentes grupos de rock de todos os tempos.

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Outros rumos

Bernardo Müller, que virou economista, é hoje professor da Universidade de Brasília. Geruza tornou-se produtor de estúdio, tendo trabalhado durante muitos anos no famoso Artimanha, de propriedade do guitarrista Toninho Maia. Balé fez as malas, partiu para os Estados Unidos, onde trabalhou em artes gráficas e voltou para Brasília, onde montou a banda Resistores.

Já o guitarrista Fejão abraçou novo trabalho, mais calcado no heavy metal – com elementos do pós-punk -, liderando a banda Dungeon, que chegou a lançar um disco pelo selo Rock It!. Morreu em 1995, em Brasília, sem ver a obra do Escola reconhecida no mercado fonográfico.

Uma das pérolas da banda, a faixa “Luzes”, voltou à cena relembrada pela Plebe Rude, que regravou a canção no disco ao vivo lançado pela banda em 2000.

A Volta

Esses dias recebi um e-mail e quase cai para trás. A  Escola de Escândalo, foi reativada e vai fazer uma apresentação – ÚNICA! – no próximo dia 20 de setembro, durante o Porão do Rock. É claro que há um entrave insuperável: o guitarrista Fejão, já falecido, o mais genial instrumentista de sua geração, estará presente apenas nas mentes dos fãs. Ao que parece, pelas informações que obtive, Bernardo Müller, letrista e vocalista do lendário grupo, não topou retomar o microfone. Mas Geraldo Ribeiro, o Geruza (baixo), e Eduardo Raggi, o Balé (bateria), resolveram reativar o grupo, convocando Sylvio J., ex-Pravda, para a guitarra. Não sei vocês, leitores, mas esse show eu vou assistir.

Para Ouvir

http://www.myspace.com/escoladeescandalo

Para tuitar: http://wp.me/pdGj4-D8

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E aí? Saudades das nossas resenhas? Pois preparamos duas pro seu fim de semana. Uma para sexta e outra para sábado.

Haviam me falado que a banda era boa e tal, mas sabe aquelas coisas que a gente só acredita vendo? Pois é. Foi o que aconteceu comigo ao ver a rapaziada da Gloom (GO) no palco do Landscape, em Brasília, no último dia 6.

gloom1Quando o show começou, comentei com alguém que a vocalista Niela me lembrava – afe! – a Mallu Magalhães. Felizmente era apenas uma primeira impressão, que, diga-se, não ficou. Uma vozinha que faz milagres no palco, junto com sua guitarra… Me remeteu à Fernanda Takai, por quem eu tenho uma admiração absurda. Do oito ao oitenta somente nas notas iniciais.

Não. Não lembro os nomes das músicas que tocaram, muito menos a ordem. Estava conhecendo ali a banda Gloom, que faz um som cheio de grooves e intervenções que não nos permitem rotulá-los, com um animadíssimo duo de sopro (com nome de dupla sertanoja: Yuri e Iann), que nos remete aos negões que acompanham Amy Winehouse. Tudo bem que eles são branquinhos, não usam terno, pedem cerveja o tempo todo, mas são muito animados. Daqueles que tocam fogo no puteiro, mesmo.

A banda traz ainda o sintetizador, o teclado e o vocal do Davi, o baixo e a voz do Goiaba e a bateria do Rodrigo.

gloom2Como já escrevi, rotular a banda é difícil, mas posso dizer que as músicas trazem elementos desde aquele sambão de raiz até as batidas mais hypadas dessa onda de misturar rock com música eletrônica, passando pelo ska, pelo indie e até pelo pop de Michael Jackson (ok, isso já nos cansou). Algumas pessoas falaram que a Gloom remete muito ao Rio de Janeiro. É. Pode ser. Sou carioca, criado lá, cheguei a Brasília há dois meses e acho que não me remete muito ao Rio porque não tem bandas assim lá.

Talvez o bom ska do Madame Machado, o indie sensacional do Rockz, os experimentalismos regionais do Manacá, a malemolência de João Brasil… tudo isso junto.

O show da Gloom durou uns espetaculares quarenta minutos (talvez mais), com direito ao segurança da casa vindo dizer que precisavam encerrar o show, mas ainda podiam tocar mais uma. Encerraram com um cover de “Billie Jean”, com Yuri (ou seria Iann? Duplas sempre me confundem) imitando o MJ. Você vê uma performance gravada no pub Bolshoi, em Goiânia, a seguir.

Uma pena é que o MySpace deles só tem três músicas. Bom, mas se você quiser curtir, basta acessar www.myspace.com/bandagloom e/ou dar um voadão hoje no Festival Vaca Amarela, em Goiânia Rock City.

Para twittar: http://wp.me/pdGj4-Cv

Sala de Ilusões

Enverso: Sala de Ilusões

Essa é pra quem curte pop rock. O Brunão, vocalista da banda Enverso, manda avisar que nesta quarta, dia 29, eles vão tocar ao vivo no Programa do Jô (TV Globo e Rádio CBN, após a meia-noite). O pocket-show faz parte das ações de lançamento do disco de estréia Sala de Ilusões (independente, 2008), que os caras vão colocar nas prateleiras das lojas mais hypadas a partir de novembro (já rolaram shows de lançamento em lugares como o Cine São Luiz e o Cinemathèque Jam Club, ambos no Rio de Janeiro). O disco é produzido por David Brasileiro (ex-O Surto – “que me pirou o cabeçããão…” – e Montage).

Enfim, voltando ao show no , a Enverso vai tocar duas músicas (uma na abertura e outra no quinto bloco), escolhidas pelo próprio Gordo: Tristes Versos e Piano. A primeira, com uma pegada mais pop, fala sobre solidão. A segunda, também sobre solidão, mais rock, é a faixa que encerra o disco. Trata-se de uma suíte experimental que começa em clima acústico (mais pop), entra o rockão com bateria forte e guitarra suja e termina numas batidas marcadas e um vocal em coro, que lembra aqueles bons sambas de roda. E o pior é que é boa! hehehe

No site deles, www.enverso.com, dá pra baixar gratuitamente (falaram a nossa língua, né?) o disco inteiro. É curioso notar que, como os caras são de Fortaleza (CE), só estão aparecendo agora no Sudeste, porque vieram morar no Rio e usam a cidade como base para a divulgação. No entanto, lá no Ceará, a Enverso chegou ao topo das listas de mais pedidas das rádios jovem e já tocou, por exemplo, nos festivais Ceará Music, em 2004, 2006 e 2007, à noite. Também se apresentou à noite no Piauí Pop deste ano. Ou seja, cerveja!

Clique para baixar Tristes Versos e Piano. E vejam o Programa do Jô nesta quarta. Uou!

ATUALIZAÇÃO (4 de fevereiro de 2009): O site da Enverso está temporariamente fora do ar, mas o MySpace deles tá aí mesmo: www.myspace.com/enverso .

A banda carioca Rockz está de volta. Pela primeira vez sem Diogo Brandão, vocalista que deixou o grupo em fevereiro para se dedicar ao teatro (está em cartaz com o espetáculo “Otelo”) e a sua outra banda, Benflos, o Rockz tocou na noite desta sexta-feira na Sala Paratodos, em Niterói.

Formação atual do Rockz: Gabriel, Nobru, Pedro e Daniel.

Com os vocais de Gabriel Muzak, que já era guitarrista da banda, o Rockz reaparece, agora, com um estilo que se diferencia bastante daquele que manteve durante dois anos, desde o início do grupo até fevereiro deste ano. A naturalidade das atitudes de Gabriel, que em certa medida lembra Tom Zé, contrasta com o requinte performático do ator/poeta/músico Diogo Brandão. Não dá para dizer que um é melhor que o outro. Fato é que as letras, a voz, a postura e até mesmo a timidez de Diogo causaram grande empatia com os fãs. Seria muito fácil Gabriel seguir o mesmo estilo e correr o risco de se tornar uma vergonhosa caricatura do vocalista anterior. Gabriel faz graça com o fato de errar e até mesmo esquecer alguns trechos de letras e o público não se incomoda: acha graça, aplaude e solta gritinhos.

O Rockz pode ser uma banda nova, mas os integrantes já têm alguns anos de estrada. O baterista Pedro Garcia, filho do bluesman Bebeco Garcia, tocou no Planet Hemp e no Seletores de Freqüência. Os guitarristas Nobru Pederneiras e Gabriel Muzak também tocaram no Seletores, sendo que este passou pela primeira banda de BNegão, Funk Fuckers. Já o baixista Daniel Martins, que faz parte do Benflos, além de tocar na banda de Lobão, da qual Pedro Garcia também faz parte.

(Todos os links direcionam para os perfis dos artistas no MySpace)

A banda carioca Maldita manda avisar que vem aí o terceiro disco. A novidade é que a produção do sucessor de Paraíso Perdido (independente, lançado em agosto de 2007) deve ser assinada por ninguém menos que Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura.

A informação partiu do pianista da Maldita, o gente boa Canibal, que também está feliz da vida, com a 62ª posição que a banda alcançou na parada de sucessos da Argentina. De acordo com o vocalista Erich, não há previsão para lançamento do próximo disco, mas o tema já foi escolhido: Nero. O famoso imperador que incendiou a cidade-natal, Roma:

– Aquele que, no século I, com a medicina nem um pouco desenvolvida, fez a primeira operação de tirar o sexo de um de seus escravos… Aquele que teve relações incestuosas com a própria mãe… O Nero – contextualizou Erich em recente entrevista.

Pode-se dizer que o disco novo da Maldita, no mínimo, promete.