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Por RODRIGO BAPTISTA, fã de Radiohead

O dia 20 de março de 2009 preencheu o coração dos cariocas fãs de Radiohead, Kraftwerk e Los Hermanos. O primeiro estreou nos palcos brasileiros com direito ao repertório completo da atual turnê, além de Creep (uma espécie de Anna Júlia, ou seria Pierrot dos Los Hermanos?).

O quinteto britânico da cidade universitária Oxford apresentou um setlist irrepreensível. Claro que os fãs adorariam ouvir outros sons como High and Dry, Fake Plastic Trees, Lucky, aliás, acho que os fãs ficariam amarradões em ouvir todas as músicas da banda formada por Thom Yorke (vocais, guitarras, piano – com uma bandeira do Tibet – e dançinhas estranhas), Ed O´Brien (guitarras, percussão e efeitos eletrônicos), Johnny Greenwood (guitarra, teclados, percussão, sintetizadores, harmônica, xilofone), Colin Greenwood (guitarra e palminhas), Phil Selway (bateria) se assim ela fizesse. Olha só o setlist:

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O GARI que escreve esta resenha também é fã de Los Hermanos e curtiu o show, mas o som baixo, o eco ouvido na arquibancada e a ansiedade pelo show do Radiohead não lhe permitiram prestar tanta atenção ao show de retorno dos barbudinhos. Se quiser saber mais sobre a apresentação da banda carioca, leia o texto do GARI Maurício.

Já a performance do Kraftwerk foi bastante interessante do ponto de vista visual. O grupo apresentou diversas músicas consideradas clássicas pelos fãs, mas o show pareceu datado, e o gari aqui ficou torcendo pra acabar logo e começar a banda de Thom Yorke. Uma visão menos enfadonha sobre a vinda dos homens-robô, você encontra na resenha do GARI Victor.

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Quando os cinco rapazes estranhos entraram no palco, a galera foi à loucura. Afinal, desde o lançamento do primeiro álbum Pablo Honey em 1993, que os brasileiros sonham em conferir um dos grupos mais criativos de sua geração ao vivo. Os caras têm a capacidade de alternar momentos extremamente pops a sonoridades de deixar músicos do rock progressivo com inveja.

Eles abriram o show com 15 step, música do mais recente trabalho, In Rainbows (2007), álbum que foi a base do show. Thom Yorke é um daqueles vocalistas que consegue dominar o público mesmo sem se esforçar muito. Ele oscila entre a melancolia das baladas “radioheadianas” e dançinhas nervosas no melhor estilo Ian Curtis.

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A partir das primeiras notas de Airbag, música que abre Ok Computer, disco considerado a obra prima do Radiohead, o público brasileiro mostrou que tem as letras na ponta da língua e cantou junto quase todas as músicas da apresentação.

Destaco a música Nude, talvez a performance vocal mais sexy de Thom Yorke, Karma Police, No Surprises, Bodysnatchers e Idioteque – som comum em boates alternativas do Rio.

A banda se mostrou afinada e afiadíssima. Os integrantes deixaram o palco e voltaram para o primeiro bis quando mandaram a delicada Videotape e clássicos como Paranoid Android e Just, ponto alto da apresentação para o GARI aqui.

No segundo bis, foi a vez de – entre outras – Creep, música que os tornou famosos mundialmente e que – apesar de não fazer parte do repertório atual precisava constar no set-list  do primeiro show em terras brasileiras.

Durante o show, Ed O´Brien resumiu muito bem – num português com sotaque britânico – o sentimento dos fãs: “Bom pra caralho!”.

MAIS!!!

Eles são robôs, cara!
Eles sabem fazer carnavais melhores
Setlists
As fotos usadas neste post eu encontrei neste Flickr
E os vídeos do Radiohead estão aqui

Por MAURÍCIO RAMOS, fã de Los Hermanos

Uma noite histórica reuniu um reencontro, uma lenda viva e uma primeira vez. Em uma excelente atmosfera, a Praça da Apoteose recebeu gente de vários lugares do país além de cults, alternativos , playboys, celebridades , sub-celebridades e meus amigos de escola (foi muito bom revê-los).

O festival começou com o DJ Maurício Valladares, mas, por causa do engarrafamento na Ponte Rio-Niterói, não consegui curtir nada da discotecagem. Cheguei com vontade de ir ao banheiro e assim que a saciei fui para o meio da galera. Exatamente às 18h59min , o momento mais esperado pra mim: Los Hermanos. O público foi ao delírio.

Todos se sentiam fazendo parte da história. O show começou com Todo Carnaval Tem Seu Fim e foi demais. O clima de devoção estava no ar. O povo cantava em uníssino e os Hermanos demonstravam o prazer em estar no palco de novo, juntos. A empolgação dos integrantes era visível (exceto do jogador de bocha Bruno Medina, que resolveu tocar teclado). Camelo, Amarante, Bubu (o 5º elemento) e Barba mostraram a energia que é habitual nos shows. Foi uma hora de um grande show, porém estranho.

Sim, estranho. Eles tocaram todos os sucessos como O Vento , O Vencedor, Sentimental e Além do Que Se Vê mas senti falta de músicas mais lado-B, como foi prometido durante a semana. Para os que queriam curtir o momento alternativo , Cher Antoine foi um dos pontos altos do show, já que foi a primeira vez que eles tocaram a música ao vivo. Mesmo com 18 músicas no total, o show foi curto pra quem esperou dois anos por esse momento. Rolaram pedidos de “Volta, Los Hermanos” (Com a bela resposta de “Tamo aqui, uai” do Amarante) e de bis, que não foi atendido.

Excelente show apesar de burocrático. Não achei que foi de propósito. Acho que a ferrugem atrapalhou um pouco mas foi histórico pros fãs! Nota 8 (perdeu pontos pela duração , falta de lados-B e falta do bis).

O Segundo show foi o que eu menos esperava ver: Kraftwerk. Sinceramente era aquele esquema de “já que eu estou ali mesmo, eu vou ver”. Ainda bem que estava ali. Que showzasso!!! Sensacional! Usaram com maestria efeitos eletrônicos, imagens no telão e luz! Um show de produção. Me mostraram o que é música eletrônica de verdade. O visual predominantemente vermelho, os integrantes com seus laptops formando quatro figuras iguais , como se fossem produtos em série, demonstraram que a Alemanha marcou uma baita presença. E ainda terminou , ironicamente , com Music Non-Stop. Ponto pra eles! Nota 9 (só porque eu realmente não curto tanta música eletrônica).

O ponto alto da noite foi o show do Radiohead. Souberam empolgar a galera. Abriram o show com muita energia e o público foi ao delírio. O som estava muito melhor que nos outros dois shows e isso, unido com uma bela imagem de quatro câmeras que acompanhavam os integrantes e projetavam as imagens no telão além do jogo de luzes foda demais (isso pode escrever aqui? Ah , foda-se ,escrevi) fez com que o show fosse um verdadeiro espetáculo. Não sou fã do Radiohead mas foi o típico show que, mesmo não conhecendo as músicas, eu saberia que o investimento seria bem feito. Pros fãs o ponto alto foi quando tocaram músicas como Karma Police e Paranoid Android. Pra mim , foi quando tocaram Idioteque (quando todos dançaram aos movimentos epiléticos). Pra todo mundo, o melhor foi o final com Creep. Sensacional!!! Demais!!! Só faltou Fake Plastic Trees. Deram mole mas não deveram em nada. Ao contrário, abusaram do bis. Dooois?? É meio sacanagem, né? Mas mesmo assim ganharam nota 10 e mostraram que são do caralho!!!

Organização: Nota 9 . Um lugar acessível e bonito, templo do samba , a Apoteose recebeu um festival de rock e música eletrônica. Com banheiros, bares, posto médicos de fácil acesso, tudo estava nos conformes. A pontualidade dos shows e a qualidade dos sons me surpreenderam . Excelentes! Porém, também fiquei surpreso com a falta de lixeiras. Sinceramente, não lembro de ter visto nenhuma. Assim, muito lixo ficou nos cantos, infelizmente.

E hoje tem show em São Paulo e, reza a lenda, o Multishow vai transmitir tudo ao vivo.

MAIS!!!

Show do Radiohead foi “do caralho!”
Eles são robôs, cara!

Setlists