Arquivo da categoria ‘Me engana que eu gosto’

Como é la vida, não? Tô eu num debate esquentadinho com o leitor Rafael e eis que:

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Mas aí já virou zoação. Até eu, qualquer hora, vou inventar uma música e dizer que o Chris Martin plagiou!

Fato é que o Cat Stevens mudou de religião e mudou de nome. Agora quer mudar o mundo zoando o coleguinha.

Na real, a música do Stevens não tem NADA que tenha a faixa Viva la Vida. Pelo menos não que eu tenha conseguido ouvir. Afinal, a semelhança com o Joe Satriani era indiscutível. Se você está curioso, perca 9 minutos e pouco para ouvir a música do Cat Stevens aqui e concordar comigo.

Dessa você se safou, Chris Martin! Tá feliz, Rafa?

Esta noite eu tive um sonho. Esquisitíssimo, mas ainda assim foi um sonho. Se você mora em Niterói e tem uma banda que ensaia há mais de três meses, provavelmente vai entender 100%. Se não, pode continuar lendo, que você vai entender 95%. Tá no lucro, né?

Espaço Convés: 'point' underground de Niterói

Espaço Convés: Niterói underground

Foi assim: eu tava lá nas minhas andanças por Nikiti (eu acho) quando – oh! – vi que o U2 (!) estava entrando num lugar tipo o… Convés. Pior: pra fazer um show. Pior ainda: local v-a-z-i-o. hauahauahauahaua Juro que não estou inventando nada. Apenas relato o que me lembro.

Sei que tinha um cara que ficava do lado de fora, distribuindo singles em vinil de 12 polegadas coloridos e transparentes, com faixas comemorativas. Não lembro o que comemoravam, mas comemoravam. O esquema era o seguinte: comprou ingresso pro show, ganhou disquinho. Aí, eu que não entro em show vazio, pedi um vinil. O cara me deu dois, de tão vazio que estava. Resolvi entrar, então, pra pedir autógrafos pra banda. Nem fiquei pro show, porque ia rolar ensaio da Tijolo de Vera e eu ainda precisava ligar pro cara do estúdio pra marcar. Sorte a nossa que eu liguei pro estúdio Start (!) e o cara disse que podia marcar. Isso tipo… No meio da tarde. Aí, o cara do estúdio ainda manda essa: “Posso marcar, sim. Eles só não podem atrasar, porque depois do ensaio eu vou casar”.

E então… Dream is over. Assim mesmo, sem muita conclusão.

Capa do disco 'No Line...'

Acordei pensando em guardar isso pra mim, mas lembrei que há umas duas semanas baixei o disco novo do U2, No Line On The Horizon, mas me faltou coragem para escrever uma resenha decente. Primeiro porque eu sou fã dos caras. Segundo porque eu banquei, junto com a nossa Gari, o elogio ao disco Pop, ao comparar o single Get On Your Boots às músicas daquele álbum. Terceiro porque veio o Carnaval e me deu u-ma-pre-guiiiii-ça!

Aí, neste fim de semana eu fui ao shopping e vi que o disquinho já tava na prateleira das Lojas Americanas, por R$ 34,90 (o lançamento mundial tava marcado pra amanhã, mas tudo bem…). Olha, acho que não vale quanto pesa, não. Desculpem-me, fãs como eu, mas me decepcionei bastante. Cara, o U2 me promete reinventar o rock e me vem com esse disco que, eventualmente soa como “obra” do Roxette? Tá tirando com a minha cara, mêu? Ouvi e fiquei esperando aparecer embaixo aquela tarja do João Kleber: “Pedestre compra disco novo do U2 e toma o maior susto”.

Vamos lá! Faixa a faixa (no esquema ala a ala). Imaginem a Glenda e o Kleber Machado narrando, ok? Vem chegando o U2, com o enredo No Line On The Horizon. A comissão de frente, homônima ao enredo, poderia ter vindo no desfile de 1991, quando o enredo foi Achtung Baby, de preferência, colado à ala Mysterious Ways. A faixa (ou ala) Magnificent também soa muito 90’s. Se estivesse no Zooropa (1993), talvez até virasse single. Chega então a primeira alegoria da Acadêmicos do U2: Moment Of Surrender tem 7min20seg, que eu “editaria” em algo com uns 3min, no máximo. É meio sacal, parece coisa de Joãozinho Trinta na Beija-Flor, sabe? Exagero demais. A menos que você esteja num momento beeem zen, é impossível ouvir no carro ou no iPod, a caminho do trabalho. Dá um sono…

Soa meio antigo

Soa meio antigo

Unknown Caller é quase uma “velha-guarda” e vai mais pra trás ainda e lembra o U2 do final dos anos 80. Na real, o disco não soa como reinvenção alguma, mas como uma grande revisão da carreira dos caras, que têm aí três décadas de estrada. Em vez de relançarem faixas antigas, preferiram fazer músicas novas, aproveitando apenas a sonoridade retrô. Soa muito caça-níqueis. Chega então a ala das crianças, com I’ll Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight, que soa como algo novo de fato. Nada muito sensacional. Talvez porque veio depois de tanta música com paumolecência (que, é claro, se opõe à paudurecência).

É a vez da bateria – aquela que nunca decepciona -, com a faixa que se tornou o primeiro single do álbum, Get On Your Boots, que tem um post exclusivo aqui e, claro, conta com uma batida bacana. Stand Up Comedy é praticamente o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. Também não decepciona, mas não tem a pegada popular da bateria. É mais nobre. Se fosse eu, colocava como segundo single fácil. A ala dos passistas chega em seguida e se chama Fez – Being Born, com direito a sampler da “bateria” com “let me in the sound, let me in the sound” como som incidental no começo da música. Parece uma vinheta, porque depois a faixa dá uma virada, parece que vem aí um Led Zeppelin, mas acaba se revelando um Roxette, com aquele tecladinho típico. Afe!

Calma, que tá acabadando. Lá vem o tripé White As Snow, que não chega a ser uma alegoria, mas vem dar uma melhorada às alas que vêm pela avenida. Som viajante, setentista. Quem chegou até aqui não vai poder reclamar de som viajante NENHUM! De repente, susto! Quando a gente menos esperava, surge a musa da escola de samba, Breathe, novinha, com muita sensualidade e competência. Pena que só apareceu no finzinho, quando o primeiro lugar já está praticamente na mão da rival, que faturou os últimos três campeonatos. Mas, pelo menos, nos dá um motivo pra acreditar. Pra fechar, a ala Cedars Of Lebanon, formada pela comunidade. Comunidade de fãs, que vão querer me bater, mas, na verdade, não passa de mais uma baladinha com pegada messiânica, ótima pros momentos do show em que o telão mostra imagens da tríade guerra-fome-peste, que é “sucesso” desde a Idade Média, pelo menos.

Show no terraço para promover disco novo

Show no terraço para promover disco novo

Bom, ouvi pouco de Robert Plant e nada de Jack White, mas se o U2 diz que está estão lá… Resta esperar que o próximo desfile seja melhor e que o os irlandeses aprendam que não dá pra prometer um Sgt. Pepper’s e apresentar um U2 Revisited. Pelo jeito, a banda se preocupou muito mais com a aparência (formatos diferentes para o álbum, show no terraço de um edifício) e esqueceu do som.

Faixas de No Line On The Horizon:
1. No Line On The Horizon
2. Magnificent
3. Moment Of Surrender
4. Unknown Caller
5. I’ll Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight
6. Get On Your Boots
7. Stand Up Comedy
8. Fez – Being Born
9. White As Snow
10. Breathe
11. Cedars Of Lebanon

MAS ADMITE CHUPADA. UI!

Tô nem ai, tô nem ai

Tô nem aí, tô nem aí

Vimos esta semana no site do New Musical Express: o Chris Martin jurou de pés juntos que foi ele quem escreveu Viva La Vida e qualquer semelhança com um solo do Satriani ou a linha vocal de uma banda indie é mera coincidência. Bom, achamos natural ele negar. Já era até esperado, inclusive (leia abaixo VIVA LA VIDA). Ah, ele também disse que, devido às acusações de plágio – coitado – a banda teve uma briga feia e quase acabou.

Não escrevemos aqui porque achávamos que poderia surgir algo mais… interessante. Na mosca! O vocalista do Coldplay deu uma entrevista ontem para a Radio 1, da BBC, e admitiu que uma das melhores canções da banda, Shiver, lançada em 2000, é “chupada” de Jeff Buckley. Como o Chris não aparece pra dar só uma declaração bombástica (a exemplo de: “não plagiei” / “a banda quase acabou”), ele aproveitou pra dizer que os shows que estão rolando em Londres poderiam ser muito melhores e, numa escala de zero a dez, deu nota três para as atrações desta semana.

VIVA LA VIDA

Make music fair

Make music fair

Não precisamos dizer que não acreditamos no Chris Martin. Até achamos que, a exemplo do que fez ontem, daqui a uns dez anos – ou quando o Coldplay finalmente acabar (finalmente pra ele, ok? – leia sobre o fim da banda a seguir), ele virá a público e contará toda a verdade. Seja na Radio 1, seja no Silvio Santos, seja na Márcia. Um dia a verdade aparecerá. Enquanto isso, vamos vivendo la vida.

Em tempo: a música é ótima, o disco do Coldplay está bem bacana e faz jus às sete indicações ao Grammy. Só podia rolar um cadinho mais de sinceridade, mas entendemos que admitir um plágio antes de ganhar o Grammy é um senhor tiro no pé. Esperemos a premiação.

FIM DO COLDPLAY? PERGUNTE AOS GALLAGHER

Ninguém deve torcer tanto pelo fim do Coldplay quanto o próprio Chris Martin. O cara adora espalhar por aí que a banda está próxima do fim, que a banda quase acabou, que em breve o grupo vai se separar… O que é isso? Jogada de marketing? Chris, isso é coisa de moleque e nem pega bem uma pessoa da sua idade ficar fazendo isso. Se continuar assim, o fim do Coldplay será algo do tipo “fim de Sandy & Junior”, com direito a tour de despedida, muita grana no bolso e os fãs é que se danem.

Noel Gallagher + Chris Martin

BFF: Noel Gallagher + Chris Martin

Sério! Achamos que alguém deveria perguntar aos irmãos Gallagher o que eles pensam sobre o fim do Coldplay, o plágio de Viva La Vida e a chupada de Shiver. Seria, sem dúvida a melhor análise dos casos. Detalhe é que o Noel é (ou era; não sei) amiguinho do Chris Martin e já havia até brigado com o Liam por causa dessa amizade. Que lindo! O lance é que, de uns tempos pra cá, o Noel anda concordando muito com o Liam. E o Liam acha o Chris Martin um grande babaca. Sem problemas, pensamos o mesmo sobre ele. Peraí! Sobre “ele” quem: o Liam ou o Chris? Hmmm… os dois, dependendo da ocasião. Aliás, veja Noel e Chris Martin tocando Yellow:

OU SERÁ QUE ELES ‘SÓ’ DESCOBRIRAM A RECEITA DO SUCESSO?

Vou escrever mesmo e não adianta ficar revoltadinha, não! Era outubro de 2007 quando o tiozinho Peter Van Wood, holandês radicado na Itália, pediu um milhão de euros ao Coldplay, que teria plagiado a sua Caviar and Champagne na música Clocks, lançada pelo grupo de Chris Martin no ano 2000. Veja o vídeo a seguir e tire suas conclusões:

O lance é que, dessa vez, eles se superaram: uma só música parece ter dois criadores. E nenhum deles faz parte do Coldplay. O primeiro deles a gritar foi Andrew Hoepfner, vocal da banda indie americana Creaky Boards. No vídeo que ele colocou no YouTube (veja abaixo), tem até imagens feitas em maio de 2007, que comprovariam o plágio. Ainda segundo o cantor, Chris Martin teria ido a um show do Creaky Boards em outubro do ano passado e parecia estar gostando – o que deixara a banda muito contente. Mal sabiam eles que Chris Martin havia gostado demais da música de profético nome: The Songs I Didn’t Write (As Músicas Que Eu Não Escrevi). Tanto que até a usou para compor a música Viva La Vida, lançada em maio deste ano como segundo single do disco homônimo. Abaixo, o vídeo que compara as linhas vocais da música de Hoepfner e do Coldplay:

Mas é preciso mais do que uma linha vocal boa para fazer um sucesso. É aí que entra o segundo acusador: ninguém menos que Joe Satriani, com a faixa If I Could Fly, lançada – veja só – em 2004, no disco Is There Love in Space?. Nem tem muito o que comentar. Só repare que é A MESMA MÚSICA da  acusação acima, Viva La Vida. Segue o vídeo comparando as duas faixas:

Mesmo sob essas suspeitas, Viva La Vida foi indicada na última quinta-feira ao Grammy 2009. A faixa vai concorrer a sete gramofones, entre eles o de gravação do ano e de música do ano. Também alcançou o topo de paradas importantíssimas, como o Hot 100 da revista americana Billboard, a parada de singles do Reino Unido e a Euro 200. E isso nos faz pensar em três coisas:

1. o Coldplay pode ser canalha, mas até que tem boas influências;
2. receita do sucesso: pegue uma linha vocal novinha indie, que ninguém conheça, e misture com um riff que um guitarrista bonzão lançou há alguns anos, mas que ninguém consiga lembrar direito. Corre o risco de você concorrer ao Grammy;
3. já temos toda a concepção de uma banda – ã-ran, ã-ran, os GARIS vão criar uma banda – mas ainda não decidimos de quem vamos roubar as “nossas” músicas. Precisamos pensar nisso com urgência!