Por VICTOR RIBEIRO, fã de Kraftwerk

kraftwerk_wearerobots

Decidi ir ao show em cima da hora, por uma série de motivos. O principal era que, quando o New Order veio aqui em 2006, no dia do show eu até pensei em ir, mas achei que eles voltariam logo ao Brasil. Meses depois a banda anunciou que estava encerrando as atividades. Quando pensei nisso e lembrei que restou apenas um integrante da formação original do Kraftwerk e que, em 2004, quando eles vieram ao Tim Festival, eu ganhei ingresso e acabei não indo… Não tive escolha: provavelmente seria minha última chance de vê-los com alguém da formação clássica, tocando, por exemplo, Autobahn:

ou

Como rapadura é doce, mas não é mole, antes foi necessário encarar uma apresentação do Los Hermanos. Não que eu não goste dos barbudos. Meu problema é com o público. Eu cheguei à Marquês de Sapucaí às 16h (horário marcado para a abertura dos portões, o que ocorreu somente uma hora depois) e, no caminho para a bilheteria, passei pela entrada, onde a fila virava uma aglomeração de pessoas com aparência de Mallu Magalhães, entoando músicas dos Hermanos. Pensei: “Sujou!”.

Entrei a tempo de ouvir a excessivamente eclética discotecagem de Maurício Valladares, o cara do RoncaRonca. Teve desde Patti Smith fazendo cover do Nirvana até um sambinha lá, pasando por Jeff Buckley (que teria inspirado Fake Plastic Trees, do Radiohead). Esquisito. A cara do público do Los Hermanos. Às 18h58min as luzes apagaram, a música do DJ parou, entrou um tema instrumental e às 19h em ponto a ovação popular não deixava dúvida: Los Hermanos no palco.

kraftwerk_aerodynamic

Som baixo, repertório manjado, tropeço em uma ou duas letras, desafinação do Camelo e do Amarante, apelo visual praticamente zero. Não teve bis, porque banda de abertura não faz bis. E a explicação do som baixo… Bom, de acordo com o tecladista Bruno Medina, do Los Hermanos, o volume do som durante o show deles foi mais baixo por uma imposição da organização do festival, já que eles eram, “apenas”, a banda de abertura. hauahauahauahaua Desculpem-me, fãs, mas não consegui segurar. Os caras se acham a última bolacha do pacote. Dá nisso!

No intervalo do Los Hermanos pro Kraftwerk, recebi uma ligação do Jornal do Brasil, para pegar uma opinião minha sobre o fim da comunidade Discografias, no Orkut. Alguém de lá havia lido sobre o assunto aqui no LIXEIRA. Lindo, né? Saiu hoje (clique na figura para ver grande e ler o que foi transcrito pelo repórter do JB):

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Quando as luzes apagaram novamente, o Kraftwerk entrou ao som Man Machine e, de cara, disse a que veio:

Os efeitos visuais nos telões transformaram o show com 13 músicas e que durou cerca de 1h10min num grande espetáculo. O show foi marcado pelos sucessos da fase áurea da banda – os anos 70. Claro que faltaram alguns clássicos, como Poket Calculator, Vitamin e Computer Love, de onde saiu o sample que o Coldplay usou em Talk. Mas não dava pra querer que um repertório tão curto tivesse tanta música. Teve, por exemplo, The Model, Aerodynamik, Tour de France (versão de 2003) e Trans Europa Express:

O ponto alto desses efeitos visuais foi durante a execução de We Are The Robots, quando a banda saiu e, em seu lugar, quatro robôs tipo aqueles manequins de lojas d0s anos 80 realizaram até coreografias no palco. Ótimo de ouvir, lindo de ver:

O Kraftwerk se despediu ao som de Music Non-Stop, quando se vestiram de neon (ou algo que valha). Eram tantos os elementos visuais, que nos fizeram lembrar que há um mês o mesmo lugar servira de palco para os desfiles das escolas de samba:

Se teve alguma coisa que poderia ser melhor, essa coisa é o idioma. Quem já ouviu as gravações do Kraftwerk em alemão sabe que a vibe é um pouco diferente do que a gente conhece em inglês. Eu, particularmente, prefiro as bandas cantando em sua língua original. Não só as bandas, mas as artes, em si, mudam quando você troca este elemento de identidade. Atentei pra isso quando fui ver o Eduardo Galeano recitar suas poesias. Em espanhol. Mas foi showzasso.

Em seguida o Radiohead entrou e provou por que era a atração principal. Não tenho palavras pra descrever o que eu vi. Cheguei lá conhecendo apenas os sucessos: Creep, Fake Plastic Trees, High and Dry, Paranoid Android, Karma Police e Idioteque. Não duvidava de que eles fariam um ótimo show, mas não imaginava que seria tão bom. Também usaram bastante efeitos visuais. Tudo lindo!

Posso dizer que os shows do Radiohead e do Kraftwerk valeram cada centavo. Valeram ficar uma hora e pouca em pé ouvindo Los Hermanos. Valeram pagar R$ 5 pelo copo de água.

Logo mais é a vez de São Paulo. Bom show pra vocês!

MAIS!!!

Show do Radiohead foi “do caralho!”
Eles sabem fazer carnavais melhores
Setlists
As fotos usadas neste post eu encontrei neste Flickr

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comentários
  1. Karine disse:

    eu vi vc passando lá na porta, mas não deu pra ter um grito hauahauhaua! eu estava na fila quilométrica, graças a um conhecimento de uma amiga!
    o show do los hermanos foi muito abaixo das expectativas mesmo, e quanto ao kraftwerk… valeu pela experiencia, nem conhecia o som dos caras.
    Achei radiohead bem legal, mas não sou aquela fã louca. gosto moderadamente.

    beijo

  2. […] Eles são robôs, cara! Ainda da série Garis do Pop no show do Radiohead, desta vez quem pega o micfrofone é Victor Ribeiro, fã de Kraftwerk, outra atração de esquenta para o show da noite. Por lá, videos e mais vídeos da apresentação que o Victor resolveu ir em cima da hora por temer ser esgta a última chance de ver a banda com um membro da formação original. […]

  3. alerib disse:

    Aqui em São Paulo também foi sensacional, mesmo tendo que aguentar os Hermanos na abertura. Kraftwerk foi impecável e deu aula. radiohead foi de chorar copiosamente de emoção.

  4. […] pessoas que comentaram os shows: superoito , crítica construtiva , lixeira sobre Radiohead , lixeira sobre Kraftwerk , rthibes , jade gola , lúcio ribeiro […]

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