A segunda-feira começou com uma notícia ruim pra todos nós, que gostamos de música: a comunidade Discografias e suas correlatas encerraram suas atividades no Orkut. Eu li a notícia na Folha Online e não acreditei. Fui até a comunidade, onde encontrei o seguinte comunicado, assinado pela “Moderação” (grifos deles):

Informamos a todos os membros da comunidade “Discografias” e relacionadas (Trilhas Sonoras de Filmes, Trilhas Sonoras de Novelas, Coletâneas (V.A.), Pedidos, Dicas/Dúvidas e Índice Geral), que encerramos as atividades devido às ameaças que estamos sofrendo da APCM e outros orgãos de defesa dos direitos autorais.

Nosso trabalho foi árduo para manter as comunidades organizadas, sem auferir nenhum tipo de vantagem financeira com elas, somente com o intuito de contribuir de alguma forma para a cultura e entretenimento.

Não é com o fechamento desta comunidade e outras equivalentes que as gravadoras irão aumentar seus lucros.

Muitos artistas perderão seus meios de divulgação.

Milhares de membros terão que procurar outras atividades no Orkut que não seja o download de músicas e afins. O número de sites e blogs de conteúdo similar, mais programas como eMule, limewire, de torrents e outros P2P, cresce em progressão geométrica.

Perdem eles, perdemos todos, mas enfim, tudo em nome do dinheiro das grandes corporações. Nada em nome da cultura.

Tais entidades de defesa dos direitos autorais, como a R.I.A.A. nos Estados Unidos e APCM no Brasil, que é a representante legal de:

UNIVERSAL MUSIC DO BRASIL LTDA.;
WARNER MUSIC BRASIL LTDA.;
SONY – BMG BRASIL LTDA.;
SIGLA – SISTEMA GLOBO DE GRAVAÇÕES AUDIO VISUAIS LTDA;
EMI MUSIC LTDA.;
COLUMBIA PICTURES INDUSTRIES INC.;
DISNEY ENTERPRISES INC.;
METRO-GOLDWYN-MAYER STUDIOS INC.;
PARAMOUNT PICTURES CORPORATION;
TWENTIETH CENTURY FOX FILM CORPORATION;
UNIVERSAL CITY STUDIOS INC.;
WARNER BROS.;
UNITED ARTISTS PICTURES INC.;
UNITED ARTISTS CORPORATION;
UBV – UNIÃO BRASILEIRA DE VÍDEO E ASSOCIADAS

Sendo ainda representante de IFPI – International Federation of the Phonographic Industry e MPA – Motion Picture Association no Brasil, se dizem “sem fins lucrativos”, vamos acreditar nisso, né gente? Como todos acreditam nas histórias da carochinha.

Portanto, deixamos aqui os dados de contato do orgão responsável pelo fechamento das comunidades e de um de seus representantes:

APCM – ANTI-PIRATARIA CINEMA E MÚSICA
RUA HADDOCK LOBO, 585SÃO PAULOSP – BRAZIL
INTERNET ANTI-PIRACY UNIT
Telefone: +55 (11) 3061-1990x244
e-mail: anti-piracy@apcm.org.br
=>Bruno Henrique Tarelov: btarelov@apcm.org.br
Fone: 55 11 30611990 ramal 238
Fax: 55 11 30611221

Agradecemos a todos que de um jeito ou de outro, colaboraram para que nossas comunidades fossem tão populares. Valeu, gente!

O anúncio sobre o fechamento havia rolado no ano passado. Bom, é lamentável, porque, excluindo bandas como U2, discos novos chegam ao Brasil meses depois de serem lançados. Já quem curte músicas mais antigas, tá ferrado, porque as gravadoras já tiraram boa parte de seus “flashbacks” e “clássicos” do catálogo, em nome da economia. E você sabe por quê, mesmo com os órgãos oficiais e as gravadoras sendo contra os downloads gratuitos, o iTunes, maior serviço de venda de música digital, não chegou ao Brasil ainda? Simplesmente porque no Brasil não seria possível vender uma faixa a R$ 1,99 ou R$ 2,99, como ocorre em dezenas de outros países. É que aqui tem tanta gente querendo abocanhar o direito autoral que corria o risco de DUAS faixas custarem mais caro que um CD físico inteiro.

Mas esta censura à Discografias não há de ser nada. Há sites como Torrent Reactor e The Pirate Bay, sobre os quais nenhuma entidade brasileira tem a menor ingerência. Basta baixar um software de arquivos torrent e correr pro abraço. Agora mesmo eu estou fazendo o download do quase-documentário Rude Boy, que mostra uma boa parte da turnê do Clash bem no começo dos anos 80, bem no auge da carreira, e nos “apresenta” o roadie da banda, o garoto que dá nome ao filme e foi homenageado na faixa Rudie Can’t Fail, do clássico álbum London Calling (1979). O filme já é raro na Europa, o que torna praticamente impossível encontrá-lo por aqui. E aí? Qual a solução? Morre-se sem assistir? É ruim!

Só uma última consideração: lá na segunda metade dos anos 90 surgiu o ameaçador Napster. Durante anos a RIAA tentou derrubá-lo, até que conseguiu. Mas ele já havia feito escola e ninguém mais conseguiria deter as trocas de arquivos. E estamos falando de uma rede praticamente toda discada. Hoje, mais de dez anos depois, a banda larga só facilitou a nossa vida. A indústria da música tem mil possibilidades de ganhar dinheiro sem depender majoritariamente da venda de discos. O problema é que a indústria convencional e a burocracia SEMPRE estarão atrás das novas tecnologias, pelo simples fato de serem conservadoras demais e só aceitarem o novo quando estão “derrotadas”. Talvez a presença regular de um moleque de 16 anos num conselho de uma gravadora melhorasse isso.

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comentários
  1. Natalia Weber disse:

    ótimo, ótimo post… e gente, e eu que uso as redes p2p e torrent somente, nem tinha concatenado que não tinha iTunes por aqui. É mesmo, gente! Tô tão por fora… por acaso aqui já se vende arquivos digitais de cds, como lá fora? Como eles pensam que a gente abastece o mp3(4,5,6,7…) player? Compra o CD e faz o rip? Depois eu que sou sonsa…

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