Por Victor Ribeiro

Cada vez mais organizado, o Grito Rock deste ano teve, logo na primeira noite, duas fortes candidatas a serem as melhores performances de 2009: Unidade Imaginária e Los Bife. Teve ainda a volta do Sukhoi. Nesta terceira edição, o Grito Rock daqui deixou de ser Grito Rock Rio pra virar Grito Rock RJ, porque o pessoal do Rock in Rio encrencou. Vê se pode!

Os shows desta sexta-feira começaram pouco depois das 22h30, com os Filhos da Judith. Como eu cheguei no meio da apresentação da segunda banda, Manifesto, vamos pular pra ela, então.

O grupo, de Niterói, foi escolhido por votação popular na comunidade online do festival. O vocal até é bom, mas toda hora interrompia o show pra falar alguma coisa – normalmente dispensável – e o resto da banda é razoável. De 5 a 10 (lembre-se que, no Carnaval, a nota mínima é sempre 5), 6 pra eles.

Depois vieram Filhos do Totem, também de Niterói. E aí temos uma história no mínimo curiosa: eles venceram por voto do júri a seletiva que escolheu três bandas niteroienses para participar do Grito Rock (as outras duas, Motherfunk e Prosaico, que tocam hoje e amanhã, respectivamente, levaram a vaga por voto popular).  Eu fui à seletiva e posso dizer que havia pelo menos umas duas ou três bandas melhores. Mas enfim… Os Filhos do Totem subiram ao palco do Cine Lapa pouco depois da meia-noite, desfalcados do guitarrista, que estava trabalhando (!), e do vocalista, que está internado com sintomas de dengue. Tipo: se a banda completa já é aquilo, imagine desfalcada. O som, marcadamente imaturo, não vai muito além de uma barulheira desafinada. Talvez, se os caras da banda tivessem uns dez ou quinze anos a menos, daria pra entender. Calcula só um grupo formado por um monte de Kleber Bam Bam, com outros Kleber Bam Bam assistindo. É isso! E, pra completar, tem um produtor que fica da plateia, gritando o que eles devem falar entre as músicas. Resumindo: o vídeo de skate que rolava no telão era muito mais interessante. Nota 5.

A quarta banda foi a Drenna (antigo Projeto Drenna), comandada pela vocalista que – oh! – se chama Drenna. Banda de mulherzinha, sabe? O vocal lembra muito a Meg Stock, do Luxúria. O probelma da banda: TODAS as músicas próprias (pelo menos as que tocaram no festival) seguem a fórmula de começar lentinha e, depois, uma virada de bateria, um vocal gritado e uma guitarra pesada. Manjado, né? O ponto alto foi a participação especial do guitarrista e produtor musical Fred, que gravou e produziu as faixas do primeiro algo, que a banda está finalizando sob as bençãos da equipe de Marcelo Yuka, que, inclusive, fez questão de ir ao Grito Rock ontem e ficou até o final. No encerramento, a Drenna mandou bem com um cover de Misirlou, do Dick Dale, que provavelmente você conheceu ouvindo Pump It, do Black Eyed-Peas. Ou seja, os melhores momentos foram aqueles em que fugiram da tal fórmula que eu já citei. Nota 7,5.

Chega então a vez do pessoal da Unidade Imaginária subir ao palco. Resumindo em uma frase: eles são a prova que é possível ter uma vocalista gata e talentosa. Mariana é linda, tem muita presença de palco, desenvoltura, canta bem, toca guitarra bem e se sai bem até na escaleta (aquele tecladinho de assoprar). Showzasso! A baixista Valentina também faz suas participações bem pontuadas e tal. Nota 9,5, porque incentiva a continua melhorando… hehehehe

Depois de um show desse você não sabe se arrisca ficar e ver se a outra banda vai mandar bem também ou não. Pra minha sorte eu fiquei e vi outro showzasso, com o pessoal da Los Bife. As músicas contavam desde as agruras do sujeito que se apaixona por uma lésbica até o fato de terem virado motivo de risada entre os amigos. No ano passado eu vi um show em que eles fizerem cover punk do Créu. Desta vez, a pérola da música brasileira escolhida pela Los Bife foi A Lenda, de Sandy e Junior. Instrumentos bem tocados, bons vocais e público participativo. Nota 9,5 também, pelo mesmo motivo da banda anterior.

Teriam ainda mais dois shows: a volta do Sukhoi e a banda alemã Berlin Loop. Mas os estrangeiros trouxeram equipamentos de 220v e a casa só oferecia tomadas 110v. O show da Berlin Loop foi adiado pro mês de agosto.

Já o pessoal do Sukhoi, que estava parado há dois anos, voltou com a mesma pegada nu-metal, misturando rock pesado e elementos eletônicos. Vou te falar que é difícil fazer isso direito aqui no Brasil, ainda mais quando a banda canta em português. Mérito deles. Nota 9,5 também.

O único problema chato que eu percebi é que o som do DJ estava alto demais e ninguém conseguia conversar entre um show e outro. Talvez fosse uma boa deixar mais baixo, porque não é sempre que a gente encontra tanta gente bacana pra trocar umas ideias. E crítica assinada, pra evitar constrangimento aos demais GARIS.

E TEM MAIS!

Hoje é dia dos shows de Ganeshas, Natural Born Rockers, Motherfunk, Miami Bros, Velho Joe, Homens do Pântano e Stellabela. No domingo: Casa de Bicho, Quilombos Urbanos, Prosaico, Carlos Spihler, Cabeza de Panda, Abstratus e Nayah.

Tudo no Cine Lapa (rua Mem de Sá 23, Lapa – Rio de Janeiro), a partir das 20h, com ingressos a R$ 15 e proibido para menores de 18 anos.

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comentários
  1. Renata Brant disse:

    Concordo com vc sobre o show dos Filhos de Totem, estava neste dia no Grito Rock e tb não entendia bulhufas do que o vocal cantava.
    Porem discordo do que vc disse da Drenna. A menina tem uma puta atitude e não é dessas bandas de mulherzinha que fazem rock fubá, sacas? É uma cantora e tanto! Sabe o que quer e tem uma puta voz!! Sem contar que a garota arrassa na guitarra!! Pra mim foi o show da noite!!!
    E outra: não vejo problema algum da banda cantar suas composições! Eles estava ali p/ mostrar o trabalho e quem nao estivesse a fimde ouvir que fosse embora. Simples heheheh.
    BJao!
    Renata Brant – Programa Na Veia

  2. Mauricio disse:

    Ola caro amigo , li a resenha que voce fez sobre o grito Rock , e venho relatar sobre a sua critica infeliz e injusta com a banda drenna , que pelo que eu vi foi uma das melhores bandas da noite , respeito sua opnião mas descordo , pois falar que todas as musicas começão “lentinha” e tem uma “viradinha” de bateria ja manjada, é no minimo incoerente de sua parte ,eu ja achei todas as musicas bem diferente do padrão ” Manjado ” que foi citado , me diz quais das bandas que voce citou sendo “as bandas da noite” tiveram um solo de baixo que nem a uma das musicas tocadas pela drenna, foi demais !!!!!!!E dizer que “é mais uma banda de mulherzinha ” me parece um pouco de despeito e inveja, pois ter uma mulher tocando guitarra e solando com pegada e expressão que nem ela ,é coisa que muito HOMENZINHO naum faz .Bem , so queria deixar claro minha revolta em encontrar um comentario de tamanha Incoerencia . So pra deixar claro toco guitarra a 8 anos e sei do que falo !!!!!!!!!!!

  3. Victor disse:

    Caro Mauricio, eu não tenho absolutamente nada contra banda com mulheres. Ou você não leu o parágrafo sobre a Unidade Imaginária?

    Mas tenho muitos argumentos contra a falta de criatividade e acho que deixei isso bem claro no texto. Não disse que a banda em si era de todo ruim, mas faltava originalidade nas composições, que são feitas, na sua maioria, em cima de uma fórmula – e que nem foi a Drenna quem criou.

    Nada contra a banda, mesmo. Nem contra nenhuma outra. Só espero que o pessoal aprenda a tirar coisas bacanas das críticas e melhorar, já que o objetivo é o sucesso e ninguém chega lá ignorando a opinião de quem estão acostumado a analisar este tipo de trabalho e selecionar quem é o “da vez” e quem não é. Escolher estas bandas não é a proposta principal aqui do blog, mas já foi a minha função (e de outro GARI também) fazer isso em outros lugares – em duas rádios rock, inclusive.

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