A meia-entrada em xeque

Publicado: 19/novembro/2008 em Se fosse no Tibete...
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CONGRESSO DISCUTE BENEFÍCIO

como acabar com as fraudes sem prejudicar quem tem direito?

Meia-entrada: como acabar com as fraudes sem prejudicar quem tem direito?

É óbvio que, numa democracia, qualquer debate sobre um tema é algo louvável. Quanto mais debate, melhor. Agora, é importante que estas conversas cheguem a algum lugar.

O Senado tem, entre suas pautas, uma proposta de restringir o direito à meia-entrada de estudantes, crianças e idosos (aqui no Rio, uma lei estadual estende o benefício a quem tem 21 anos ou menos) em eventos esportivos e culturais e minimizar o uso de carteiras falsas. A proposta, elaborada em conjunto com produtores culturais, tenta encontrar um modo de não extinguir as vantagens da carteirinha, mas reduzi-las, de modo que seja bem mais difícil falsificá-la.

As principais medidas adotadas seriam: reconhecer apenas os direitos dos idosos, crianças e estudantes das escolas de níveis básico, fundamental, médio e superior (carteirinhas de cursos não valeriam mais); a cota de meias-entradas não poderia passar de 40% do total de ingressos (quem contaria isso?); o benefício seria restrito ao período de domingo a quarta-feira (teatros) e de segunda a sexta (cinemas).

É impressionante os próprios produtores fazerem este tipo de proposta, tendo em vista que os dias de ingressos mais caros nos cinemas e teatros são exatamente os dias em que não haveria desconto. O problema é que o público em massa é formado por dententores das poderosas carteirinhas. O que aconteceria? Respondo pelos meus amigos: deixariam de ir ao cinema/teatro nos fins de semana e passariam a ir somente de segunda a quinta. Como é dia de trabalho/escola, dificilmente manteriam a regularidade e… tchum! o público do cinema/teatro despencaria. É um risco que os produtores correm.

Bom, mas é direito dos produtores quererem correr esse risco e, depois, pensarem em voltar atrás. Só não dá pra engolir a alegação de que, com as restrições à meia-entrada, o preço dos ingressos irá diminuir… quase pela metade. Recentemente, aqui no Rio, tivemos três shows badaladíssimos: R.E.M., com o ingresso mais barato custando R$ 230; Bloc Party, com a pista do Circo Voador a R$ 160 (dois dias antes tocaram com outras nove bandas em São Paulo, por R$ 130); e o duo de DJs Justice, no mesmo local, com outras duas duplas, com o mesmo preço (também tocaram em um festival em SP com ingressos a R$ 100).

Alguém aí acredita que os ingressos seriam mais baratos?

Outra coisa: cogita-se retomar aquele esquema de somente a UNE e a Ubes emitirem carteirinhas. Ou seja, carteirinhas que as instituições de ensino emitem gratuitamente, a UNE cobra R$ 20. Sem contar que rola um monopólio. No show do Jack Johnson, que rolou aqui no Rio em 2006, foi puro perrengue tentar comprar meia-entrada. Teve tudo isso: cotas para meia-entrada, que só era vendida na sede da UNE e, se você chegasse depois das 8h da manhã, não encontrava mais nenhuma senha. Sendo que a venda começava às 10h. Fui pra fila três dias, antes de desistir do show. Monopólio não parece uma boa opção. Nem para o público, nem para os artistas.

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