A gente jura que volta a escrever sobre música depois dessa, mas é importante.

criação da agência de publicidade Grey New York

Obama branco e McCain negro: criação da agência de publicidade Grey New York

No últimos dias, muita gente veio comentar que a imprensa brasileira está cobrindo tão bem as eleições nos EUA, mas não foi capaz de fazer o mesmo aqui no Brasil. Bom, sem querer ser corporativista, parto em defesa dos coleguinhas (como os jornalistas se tratam). O problemas é que no Brasil, a legislação eleitoral restringe demais a liberdade de imprensa. Vocês devem lembrar que a revista Veja e o jornal Folha de São Paulo foram alvos de ações judiciais altamente restritivas da censura, que agora age togada.

Não quero defender ataques gratuitos aos políticos, mas bem sabemos que, por mais “de esquerda” ou por mais “de direita” que sejam os grandes veículos de comunicação brasileiros, em geral, existe uma responsabilidade muito grande quanto àquilo que é veiculado. Se existe embasamento, fundamentação, é, sim, um ato de censura proibir a publicação de uma reportagem ou punir um jornal ou uma revista.

Outro aspecto interessante é que a legislação prevê que todos os candidatos majoritários (aos cargos de prefeito, governador e presidente) recebam dos jornais, revistas, rádios e TVs o mesmo espaço. Aí, temos problemas como:
1) tem candidado que não rende uma notinha de rodapé;
2) é razoável cobrar este comportamento das emissoras de rádio e TVs abertas, uma vez que as freqüências em que operam são concessões públicas, mas os jornais e revistas são propriedades privadas e, sinceramente, acho muito ruim o governo ficar interferindo; é como se você tivesse uma birosca e só trabalhasse com Ambev e o governo te obrigasse a trabalhar com a Coca-Cola;
3) será que o governo não tem mais o que regular? Os critérios de regulação das companhias telefônicas, por exemplo, foram adaptados de modo a favorecer a compra da Brasil Telecom pela Oi, que, agora, domina o setor em todo o país e tem uma história mal contada envolvendo o filho do Presidente da República;
4) os anúncios governamentais mantêm as mídias eletrônica e impressa e, só por isso, grande parte dos jornais, revistas, rádios e TVs aceita as regras sem questionar; pior para o público.

Agora, você acha que, numa eleição, os nossos governantes (dos três Poderes), muitos com os dois pés na lama, vão deixar a imprensa livre para informar a população? Acho que não… Dificilmente Barack Obama conseguiria se tornar presidente num país como o Brasil. Os norte-americanos, com uma imprensa livre (pero no mucho) fizeram ontem a festa da democracia deles. A nossa, parece que só virá – se vier – num futuro muito distante.

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